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A crise dos valores absolutos

sexta-feira, 20 de setembro de 2019 | 64 acessos | Deixe seu comentário!

Os pais de todas as épocas sempre enfrentam dificuldades para criar seus filhos. As dificuldades são inerentes à paternidade. No entanto, neste início de milênio, cumprir tal tarefa satisfatoriamente parece estar mais difícil do que nunca. Crianças e jovens são bombardeados por milhares de imagens, conceitos e informações de toda natureza. Desprovida de senso crítico, essa massa de dados vem construindo uma realidade sem precedentes e que favorece uma atmosfera nociva à saúde emocional e física das gerações emergentes.

Alguns fatores de influência são bastante negativos e de efeitos devastadores dentro do núcleo social e familiar. A inversão de valores aclamada pela sociedade atual é um deles. Quando o que é bom passa a ser mau, e o mau passa a ser bom, devemos de fato nos preocupar.

Segmentos da mídia e até mesmo alguns estabelecimentos educacionais defendem a inexistência de valores absolutos. Atitudes e comportamentos impróprios e inaceitáveis em outra época e cultura passam a ser aceitos sob a única alegação de que não prejudicam ninguém.

O bom gosto e a manutenção de padrões morais muitas vezes dão lugar à exaltação de obscenidades e perversões. Recentemente, uma deputada apresentou, em Brasília, a proposta para a aceitação social, moral e econômica do casamento entre homossexuais.

Pai, você já parou para refletir na possibilidade de um par de homossexuais adotar ou conceber uma criança pelo processo de inseminação artificial e assumir a responsabilidade de educá-la, alegando que essa união constitui uma família? Você gostaria de que seu filho ou sua filha crescesse em um ambiente privado da presença feminina ou masculina ou de que assimilasse a inversão dos valores que caracterizam o modelo de personalidade paterna e materna? Querido pai, essa possibilidade pode vir a ser aceita por seus filhos. Não devemos nos iludir achando que isso jamais acontecerá em nosso meio.

Vivemos em uma sociedade falida moral e espiritualmente. Muitos programas de educação sexual desenvolvidos nas escolas não sugerem aos alunos a abstinência do sexo. Em vez disso, favorecem a liberdade de escolha sob o pressuposto de que se trata de pessoas responsáveis. A única recomendação consiste no uso de preservativos e anticoncepcionais, com o intuito de evitar a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS.

Muitos administradores educacionais de entidades evangélicas e católicas, cujos princípios estão fundamentados na Palavra de Deus, enfrentam pressões fortíssimas para aceitar e propagar o material informativo (kits, folhetos etc.) que se propõe a conscientizar e estimular o jovem a praticar o sexo seguro.

Esse tipo de divulgação, no entanto, não passa de uma tentativa incompleta, e por isso ineficaz, de diminuir os elevados e crescentes índices de gravidez na adolescência e de disseminação de doenças graves e fatais, como a AIDS.

Nossa sociedade é persuadida cada vez mais a aceitar a lei que autoriza a prática do aborto. A sanção dessa lei significa negar o direito de vida a milhões de seres vivos em nome do controle da natalidade e para encobrir atos ilícitos e socialmente condenáveis.

Sabe-se que anualmente milhões de mulheres em todo o país realizam abortos, a maior parte deles em locais clandestinos e desprovidos da necessária especialização.

Por outro lado, temos assistido à propagação do moderno conceito denominado “produção independente”, que significa outorgar-se o direito de ter um filho e criá-lo sozinha, sem nenhuma interferência do genitor.

Essa prática é considerada, hoje em dia, prova de coragem, de amor maternal e de realização pessoal, não acarretando mais nenhum estigma de oposição por parte da sociedade. Pessoas consideradas bem-sucedidas, VIPs e artistas de televisão assumiram esse papel e escancararam seu exemplo para que o mundo todo se inspire nele.

Paradoxalmente, enquanto alguns decidem assumir o papel de pai e de mãe apenas pelo desejo de gerar e educar um filho, outros abrem mão da família em nome da independência e do sucesso profissional.

Uma jovem senhora concluiu seu curso universitário e iniciou uma carreira lucrativa. O marido discordava da decisão da esposa porque achava que ela ficaria sobrecarregada ao tentar conciliar as atividades de esposa, mãe, profissional e mulher. Ela, porém, não admitindo nenhum tipo de interferência em sua carreira, optou pelo divórcio, apesar de os dois filhos ainda serem pequenos – eles foram deixados com o ex-marido.

Esse caso ilustra a proporção em que as influências negativas – como o materialismo, o hedonismo, o humanismo e o secularismo – têm atingido as famílias. Ele reflete a priorização do narcisismo, ou seja, demonstra a glorificação da criatura em vez do Criador.

Nossos filhos estão crescendo em um mundo egocêntrico, que enfatiza e destaca a realização individual. Os valores vêm sendo redefinidos. O status financeiro e social, o poder e a busca dessa realização vêm conquistando espaço, infiltrando-se sutil e constantemente no núcleo familiar por meio dessa ideologia adotada pelos pais. Isso tem causado sérios danos às células familiares.

Muitos pais não apresentam disposição ou intenção de sacrificar-se em benefício de seus filhos. Estes, por sua vez, tornam-se narcisistas, seguindo o modelo que têm em casa. Tudo é considerado e avaliado em relação à pessoa, ao “eu”, à realização individual.

O mundo pós-moderno não acredita em absolutos. Tudo é relativizado de acordo com os interesses da comunidade, do indivíduo e do momento histórico e social. Não há lugar para valores imutáveis. Seria esse o caminho?

 

Livro: Pai inteligente influencia o filho adolescente

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