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Abraão, o amigo de Deus

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018 | 312 acessos | Deixe seu comentário!

Abraão foi um dos maiores homens da História. Ele é reverenciado tanto por judeus como por muçulmanos, e ambos os grupos reivindicam uma relação de parentesco com esse patriarca. Contudo, Abraão também foi uma pessoa sujeita a erros, fracassos e às fragilidades inerentes à natureza humana.

Deus ordenara a Abraão que fosse para Canaã, a fim de mostrar-lhe uma terra, que ele e seus descendentes haveriam de possuir. Porém, Abraão permitiu que a procrastinação de seu pai o retivesse por anos.

Deus lhe ordenou que fosse para Canaã, e não para o Egito. Mesmo assim, pressionado pela fome que assolava a terra, Abraão rumou para o Egito, envolvendo-se em toda sorte de problemas.

Abraão foi um homem extremamente honrado, mas, por causa do medo, fez um pacto com Sara para mentirem sobre ela ser sua esposa, mas a estratégia falhou. Como resultado, Sara foi afastada do marido e levada para o harém do Faraó. Somente a intervenção da graça de Deus poupou Abraão de uma tragédia irremediável.

Embora fosse pacífico, todos os esforços de Abraão para manter a harmonia entre os seus servos e os pastores de seu sobrinho, Ló, fracassaram. A única solução foi a separação entre eles, tendo obtido Ló a permissão para seguir seu próprio caminho.

Abraão também foi um homem que buscou manter uma família piedosa, que servisse de exemplo para outras, mas houve uma rivalidade muito grande entre as mulheres de sua casa.

Abraão amava seu filho Ismael, por isso orou: Tomara que viva Ismael diante de teu rosto! (Gn 17.18b). Algum tempo depois, porém, o patriarca passou pela triste experiência de ter de mandar Ismael embora, junto à mãe, para o deserto.

Costuma-se afirmar que apenas um tolo cometeria o mesmo erro duas vezes. Entretanto, Abraão repetiu um erro muito grave (Gn 12.11-13; 20.2) – tudo isso faz parte da sua história.

Se você tem problemas familiares, a história desse homem lhe proporcionará grande inspiração e encorajamento, pois ele enfrentou todo o desânimo que pode sobrevir a alguém que está tentando acertar e fazer o melhor. No final, alcançou a vitória.

O nome de Abraão é um dos maiores na História. Nem mesmo Alexandre, o Grande, Júlio César ou Napoleão deixaram marcas tão profundas na humanidade. Não existe lugar algum onde o nome de Abraão não seja conhecido. Tanto judeus como cristãos e muçulmanos, apesar de suas diferenças, vindicam uma ligação direta com o distinto patriarca. Todos eles dizem: Temos por pai a Abraão (Mt 3.9a)!

Uma promessa singular foi feita a Abraão. Como um pequeno córrego que flui do rio da humanidade, Deus começou a redimir a humanidade por intermédio desse Seu servo. A semente de Abraão deveria tornar-se uma grande nação que, no tempo determinado, derrotaria o império de Satanás e sobre suas ruínas estabeleceria um reino que subsistiria para sempre.

A história desse homem memorável começa com seu pai, Tera. Conforme constatamos em Josué 24.2, Tera, apesar de crer em Jeová, estava corrompido pela adoração de ídolos: Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dalém do rio, antigamente, habitaram vossos pais, Tera, pai de Abraão e pai de Naor, e serviram a outros deuses.

Existindo adoradores de ídolos na linhagem principal dos descendentes de Noé, podemos imaginar o quanto a apostasia tinha se espalhado nos dias de Abraão. Quando Deus o chamou pela primeira vez, ele vivia em Ur dos caldeus. Embora o chamado fosse, especificamente, para Abraão, era costume que a liderança da família ou do clã estivesse com o membro mais velho.

É provável que Tera tenha aprovado o chamado, mas tenha se acautelado. Há dúvidas quanto a ele realmente ter entendido, ainda que vagamente, a importância dessa convocação. Ele era um homem com tendência ao adiamento. Seu próprio nome significa demora.

Enquanto a família adiava a partida, Harã, um dos filhos de Tera, morreu. Harã era o pai de Ló. Talvez, a morte de Harã tenha feito Tera perceber que o tempo se esvaía mesmo para ele, que viveu até a idade de 205 anos.

Assim, Tera, com os dois filhos remanescentes, Abraão e Naor, com suas respectivas famílias, iniciaram a jornada para Canaã (Gn 11.31). Porém, o homem, cujo nome significava demora, nunca chegou a Canaã. Tera encontrou um lugar agradável, próximo ao rio Eufrates, onde o solo bem irrigado poderia ser facilmente cultivado, e permaneceu uma temporada. Esse lugar foi nomeado Harã, talvez em homenagem ao filho falecido. É provável que o plano dele fosse ficar naquele lugar temporariamente. Porém, depois que se estabeleceu, Tera não mais continuou a jornada para Canaã.

E tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com  eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali. E foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã.

Gênesis 11.31,32

Abraão parte para Canaã

Quando Tera morreu, Naor, sendo o irmão mais velho de Abraão, naturalmente, deveria tornar-se líder do clã. Naor tinha um filho chamado Betuel, o qual viria a ser o pai de Labão e Rebeca. Todos decidiram permanecer em Harã. Abraão, porém, estava determinado a atender ao chamado de Deus e a continuar em direção a Canaã. Consequentemente, ele se tornaria o cabeça de seu próprio clã. Quando terminou o funeral de seu pai e o tempo habitual de luto, Abraão anunciou que se prepararia para continuar a jornada em direção à terra que Deus lhe prometera.

A Bíblia nos informa que Ló, o filho de Harã, também decidiu acompanhar Abraão nessa jornada. Parece-nos que Abraão desenvolveu um interesse paternal pelo sobrinho, que havia perdido o pai. Embora as intenções de Abraão fossem as melhores, essa disposição não o beneficiou.

A rota para Canaã passava por Damasco – uma cidade famosa até hoje por se autoproclamar a mais antiga do mundo

Desde os tempos de Abraão, Damasco já era considerada uma cidade antiga. O principal servo de Abraão, Eliézer, era natural dessa cidade. É muito provável que Abraão e Eliézer tenham visitado a família deste, durante a passagem por Damasco. Talvez tenham sido tentados a parar e fixar residência naquela grande metrópole. Abraão, contudo, atentando para o chamado de Deus, continuou seu caminho,

Quando o grupo chegou a Canaã, descobriu que a terra estava assolada pela fome (Gn 12.10). Isso deve ter parecido muito estranho para os recém-chegados, que provavelmente tinham grandes expectativas em relação à Terra Prometida e, no entanto, encontraram uma terra devastada pela fome. Contudo, é preciso lembrar que Abraão não chegou a Canaã no momento certo. O Senhor o chamara muito tempo antes, mas ele desperdiçou tempo com seu pai, em Harã. Quando Deus chama alguém para realizar uma tarefa, é melhor obedecer imediatamente, pois, caso contrário, Satanás trabalhará para lançar o maior número de obstáculos, a fim de atrapalhar a realização dos planos de Deus.

Problemas no Egito

Embora a fome fosse severa, teria sido melhor que Abraão permanecesse fora do Egito. Ele não ignorava totalmente os perigos daquele país. Sabia que era uma terra de violência, idolatria e imoralidade. Seu tolo artifício, tentando dar a impressão de que Sara não seria sua esposa, indica que ele tivera sérias dúvidas sobre aventurar-se ou não naquelas terras. Abraão, hesitante quanto a sua decisão, optou por uma atitude covarde.

De fato, é admirável que esse homem, que fulgura como um gigante da fé, tivesse aceitado elaborar um plano tão questionável. Porém, quando um crente se afasta – ainda que um pouco – da vontade de Deus, tende a sentir insegurança. Isso pode levá-lo a apelar para métodos errôneos. Com Abraão não houve exceção.

Quando um homem de Deus tenta enganar alguém, geralmente se sente impelido a planejar seu ato. Na realidade, o estratagema de Abraão envolvia alguma verdade, mas, certamente, não a verdade total, e o objetivo era causar uma falsa impressão. Sara era sua irmã apenas por parte de pai, pois não eram filhos da mesma mãe (Gn 20.12). Tais casamentos, que, na época, eram permitidos, foram, posteriormente, proibidos pela Lei de Moisés.

Realmente, Sara devia ser uma mulher de rara beleza, a qual teria conservado até uma idade bem avançada. Sua beleza devia ser impressionante, pois, sendo avistada pelos príncipes no Egito, imediatamente, estes a recomendaram a Faraó, como uma excelente aquisição para seu harém. Assim, Sara foi tirada de Abraão e levada ao palácio real.

Sara não chegou a se tornar esposa do Faraó. Geralmente, quando uma mulher chegava ao harém, primeiro tinha de passar por uma série de rituais de purificação, até o casamento ser consumado. Deus deixou Abraão “sofrer” um pouco.

Deus, no entanto, estava com Sua mão estendida sobre Abraão. O desastre se abateu sobre o palácio do Faraó. O monarca e sua família foram acometidos por misteriosas doenças. Quando grandes pragas ou desastres sobrevinham aos povos pagãos, era comum que seus mágicos ou sacerdotes buscassem descobrir a causa. Os egípcios, embora envoltos em densas trevas espirituais, não reconheceram que a calamidade nacional era juízo divino (veja 1 Sm 5.9; 6.3).

Os servos do Faraó fizeram uma investigação para descobrir as causas da praga. Descobriu-se que Sara, a mulher que Faraó estava prestes a desposar, na verdade era esposa de Abraão. Ao saber disso, o Faraó devolveu-a imediatamente e ordenou a seus servos que providenciassem a partida de Abraão e de seu grupo do Egito o mais rápido possível.

Embora a experiência tivesse sido muito triste para Abraão, provavelmente, a viagem fora bastante lucrativa para Ló e sua esposa. De acordo com o ponto de vista do sobrinho de Abraão, ninguém se feriu, e ambas as famílias aumentaram imensamente as suas riquezas.

Sara também adquiriu algo. Tudo indica que, quando deixou o palácio de Faraó, ela tenha levado consigo uma experiente dama de companhia, chamada Agar (Gn 16.1). Abraão se lembraria com tristeza do dia em que essa mulher se juntou ao seu grupo.

Viagem ao Egito: uma figura da posterior temporada de Israel nessa nação

Observe como, na Bíblia, um acontecimento incorre em outro. A viagem de Abraão ao Egito prefigura a temporada que seus descendentes teriam naquele país, no futuro.

Em decorrência de uma grave crise de fome na Terra, Abraão foi obrigado a ir para o Egito. Mais tarde, também devido à fome, Jacó e sua família se dirigiram para lá.

Houve fraude em ambos os casos. Abraão fingiu que Sara não era sua esposa, e isso lhe causou problemas. Os filhos de Jacó o enganaram, fazendo-o acreditar que seu filho José estava morto, pelo que, posteriormente, pagaram caro.

 

O chamado de Abraão

No Egito, tentações na área moral acometeram ambos os personagens: Sara foi tomada pelo Faraó, com o propósito de ser incluída no harém dele. Posteriormente, José foi tentado pela esposa de Potifar a cometer adultério, tendo resistido bravamente à tentação.

O Egito proporcionou uma prosperidade temporária em duas ocasiões. Abraão foi muito bem tratado, saindo de lá muito rico (Gn 12.16). Os filhos de Israel receberam a boa e fértil terra de Gósen (Gn 47.6) para habitarem, onde prosperaram por algum tempo.

Severas pestes acometeram a casa de Faraó, por querer tomar a esposa de Abraão. Nos dias de Moisés, grandes pragas quase destruíram o Egito, porque Faraó mantivera os filhos de Israel como escravos.

Abraão recebeu presentes do Faraó (Gn 12.16). Os filhos de Israel tomaram dádivas dos egípcios, na ocasião em que, finalmente, saíram do Egito (Gn 15.14; Êx 12.35,36).

Quando Abraão deixou o Egito, tudo indica que Agar, a serva egípcia, teria ido junto. Quando os filhos de Israel partiram, uma mistura de gente subiu com eles (Êx 12.38). Nos dois episódios, os egípcios causaram grandes problemas ao povo de Deus.

Na ocasião em que Abraão voltou para a Palestina, após sua jornada pelo Egito, seu grupo de pastores e o de seu sobrinho Ló se envolveram em uma séria disputa, que culminou na separação dos dois grupos. Abraão fez uma proposta generosa: Ló poderia escolher a parte da terra que mais lhe agradasse. Este, então, escolheu as planícies de Sodoma – opção trágica que resultaria em piores circunstâncias, tanto para ele como para sua família.

Neste capítulo, destacaremos um acontecimento infeliz que, provavelmente, não teria ocorrido caso Abraão não tivesse descido ao Egito. Esse evento se refere a Agar, a serva egípcia que Sara deve ter adquirido quando esteve naquele país. Seguindo o conselho de Sara, Abraão tomou Agar como mulher em uma malfadada tentativa de providenciar um herdeiro para si.

O erro dele se tornou ainda mais incompreensível, porque Deus já lhe havia confirmado que ele teria um herdeiro. Em uma visão, o Senhor não só lhe assegurou a promessa de um filho, como também afirmou que, por intermédio desse herdeiro, sua descendência se tornaria tão numerosa quanto as estrelas do céu (Gn 15.4,5).

Embora Abraão fosse homem de grande fé, era um mistério para ele como essa promessa se cumpriria. Haveria ele entendido corretamente a mensagem? Naquela ocasião, o patriarca tinha mais de 80 anos de idade, sendo seu servo Eliézer o seu provável herdeiro. Como Abraão conciliaria essas realidades com a promessa feita por Deus?

A oração de Abraão: a primeira registrada na Bíblia

Durante uma notável visão celestial, Abraão aproveitou a oportunidade para interrogar o Senhor sobre o assunto que o perturbava. Na verdade, essa pergunta foi a primeira oração registrada na Bíblia. Abraão foi engrandecido não por ser particularmente brilhante – embora, obviamente, tivesse uma inteligência acima da média –, mas porque conhecia o segredo de uma oração vitoriosa. Se quisermos alcançar o mesmo sucesso, será importante aprendermos também o segredo de uma vida de oração.

Na Bíblia, existe algo que chamamos de Lei da Primeira Alusão. Quando uma grande verdade é mencionada pela primeira vez, seus princípios mais importantes são revelados ao mesmo tempo. No caso de Abraão, encontramos sete elementos que compõem a oração praticada no Antigo Testamento.

Primeiro, a promessa: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão (Gn 15.1b). Para ser eficaz, a fé deve conter, primeiro, uma promessa de Deus, na qual a pessoa possa ancorar-se.

Segundo, o pedido: Senhor JEOVÁ, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer? (v. 2). Tiago ensina: Nada tendes, porque não pedis (Tg 4.2b).

Precisamos pedir para recebermos. Observe que o pedido de Abraão é dirigido a Adonai Jeová, o Deus revelado na Bíblia.

Terceiro, a fé: Abraão creu na promessa de Deus, mesmo que, para a sua realização, fosse necessário um milagre. E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça (Gn 15.6).

Ter fé em Deus é um dos maiores segredos para uma vida de oração bem-sucedida. Devemos crer que Ele tem poder para fazer todas as coisas, até mesmo mudar o mundo, em resposta aos nossos clamores.

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