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As vozes da noiva e do noivo

sexta-feira, 31 de maio de 2019 | 58 acessos | Deixe seu comentário!

Com a costela que havia tirado do homem, o SENHOR Deus fez uma mulher e a levou até ele.

Gênesis 2.22

O primeiro aparecimento de Deus no cenário da história humana foi no papel de formador de casal. Que revelação profunda e animadora!

Seria exagero sugerir que Eva foi entregue a Adão pelo próprio Senhor da mesma forma como, hoje em dia, uma noiva caminha pela igreja levada pelo braço de seu pai? Que mente humana pode compreender a profundidade do amor e da alegria que encheu o coração do grande Criador enquanto Ele unia o homem e a mulher nessa primeira celebração de matrimônio?

Certamente, esse episódio é mais um indicador, dentre inúmeros outros, de que a Bíblia não consiste em um trabalho de meros escritores humanos. Moisés é, geralmente, aceito como o autor dos registros da criação. Contudo, se não fosse pela inspiração divina, creio que ele nunca teria ousado abrir a história da humanidade com uma cena de tamanha intimidade – entre o Altíssimo e o homem, e entre homem e mulher.

O quadro de Deus que Moisés “pinta” nessa passagem das Escrituras está em uma categoria completamente diferente do tipo de arte religiosa que costumamos ver em igrejas e catedrais. Na verdade, é de se duvidar que essa imagem divina descrita por Moisés viesse, algum dia, ocupar um espaço em suas paredes ou seus vitrais.

A história humana não apenas começa com um casamento, como também está destinada a alcançar o seu ápice com ele. É João, em Patmos, que nos mostra isso por meio do texto de Apocalipse 19.6-9:

Então ouvi algo semelhante ao som de uma grande multidão, como o estrondo de muitas águas e fortes trovões, que bradava: “Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro”. O linho fino são os atos justos dos santos. E o anjo me disse: “Escreva: Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro!” E acrescentou: “Estas são as palavras verdadeiras de Deus”.

 O espetáculo que João nos expõe brevemente é de triunfo, louvor, adoração, celebração, esplendor e alegria contagiante. Mais maravilhoso que tudo é o próprio Deus  Todo-Poderoso,  o  Criador  e Rei do Universo, presidindo essa cerimônia de casamento do Seu próprio Filho. Em sequência, céus e terra juntam-se em uma sinfonia de louvor e adoração nunca antes presenciada pelo Universo.

É característico da limitação bíblica não tentar descrever as emoções do Noivo celestial e de Sua Noiva. Isso porque linguagem humana alguma possui as palavras que seriam necessárias para tal. Esse é um assunto envolvido em mistério santo, reservado apenas para o próprio Senhor e para aqueles que, por meio do preparo diligente, fizeram-se prontos.

De Gênesis a Apocalipse, do primeiro ato no Éden ao último ato celestial, o tema central da história humana é o casamento. No desenrolar desse drama, o próprio Deus não permanece como um mero espectador. É Ele quem dá início à ação, e é nEle que ela atinge seu ápice. Do início ao fim, o Senhor está total e pessoalmente envolvido.

Quando Jesus veio ao mundo para dar ao homem a oportunidade de conhecer a Deus, Sua atitude para com o casamento harmonizou-se completamente com a do Pai. Assim como Ele abrira a história com um casamento, Jesus também iniciou Seu ministério público em uma cerimônia matrimonial: nas bodas em Caná. O vinho havia acabado no auge da celebração, e Maria se dirigiu a Jesus, a fim de pedir-Lhe ajuda. Ele respondeu transformando, aproximadamente, 500 litros de água em vinho – e em vinho de primeira qualidade! O dono do banquete, depois de experimentar a bebida fornecida pelo Mestre, chamou o noivo e lhe disse: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora” (Jo 2.10).

O que levou Jesus a realizar Seu primeiro milagre em uma ocasião como essa? Que verdade importante Ele demonstrou por meio dessa atitude? A resposta é simples: Cristo revelou o quanto Se importava com o sucesso da festa de casamento. Se o vinho acabasse, o noivo e a noiva ficariam humilhados publicamente, e a festa acabaria em decepção. Para evitar um desastre como esse, Jesus usou, pela primeira vez na Terra, o Seu poder miraculoso.

Além disso, o Mestre foi cuidadoso ao realizar o milagre, evitando que convidado algum soubesse o que havia acontecido. Ele não atraiu atenção para Si, mas demonstrou que, em todo casamento, existe apenas um único foco de atenção adequado: os noivos. Embora Cristo tenha feito o milagre, o reconhecimento público, na verdade, foi para o noivo.

Em Seu ministério de ensino, Jesus, consistentemente, apoiou o plano de matrimônio iniciado na criação pelo Pai. Por essa razão, Ele rejeitou a tradição dos casamentos de Sua época. Ao ser confrontado por alguns fariseus com uma pergunta acerca do divórcio, Ele respondeu: “Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe” (Mt 19.4-6).

No Antigo  Testamento  em  hebraico,  o  título  do livro que chamamos de Gênesis foi tirado das palavras que o iniciam: No princípio. Em Mateus 19.4-6, Jesus respondeu aos fariseus com um texto que, deliberadamente, direcionou-os ao livro de Gênesis e, em particular, ao modo como Deus uniu Adão e Eva. Em outras palavras, o Rei dos reis sustentou o plano de casamento estabelecido pelo Pai, reafirmando-o como o único padrão divinamente ordenado para o casamento, o qual deveria vigorar também naqueles dias. O Mestre Se recusou a rebaixar a autoridade do Pai.

Os fariseus contra-argumentaram usando uma referência na Lei de Moisés que permitia o divórcio não somente em casos de infidelidade marital. A isso Jesus respondeu: Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio (Mt 19.8). Mais uma vez, o Filho de Deus os levou ao início – ou seja, àquilo que foi estabelecido em Gênesis. Era o único padrão que o Senhor aceitava. Qualquer desvio dele não estaria em acordo com a vontade do Pai, mas seria meramente uma concessão feita aos homens de coração duro e espírito não regenerado.

Essa conversa de Jesus com os fariseus tem implicações importantes para nós como cristãos nos dias de hoje. Ela mostra que o padrão divino de casamento ainda é o mesmo estabelecido por Deus na criação.

Aqueles que nascem de novo do espírito são uma nova criação, não estão mais sujeitos às vontades de sua natureza velha e corruptível. Por isso, devem respeitar o padrão divino de casamento estabelecido pelo Todo-Poderoso na criação e sustentado por Jesus em Seu ministério.

O relato de Gênesis revela quatro verdades vitalmente importantes a respeito do casamento, todas elas ainda aplicáveis nos dias de hoje.

Primeiro, esse conceito foi completamente elaborado pelo Altíssimo. Adão não teve parte nenhuma nele, não era plano seu. Ele sequer pediu por essa solução. Foi o Criador quem decidiu que Adão precisava de uma esposa. O primeiro homem não estava ciente de sua própria necessidade.

Em segundo lugar, foi o Todo-Poderoso que formou Eva para Adão. Apenas Ele sabia qual era o tipo de parceira de que Adão precisava.

Em terceiro, Adão não teve de procurar pela mulher, pois o próprio Deus apresentou Eva a ele.

Em quarto e último lugar, foi o Senhor quem determinou a maneira pela qual Adão e Eva iriam relacionar-se. O propósito final do relacionamento era a união perfeita: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne (Gn 2.24).

Se, assim como Jesus indicou, o padrão do Pai para o casamento permanece inalterado, então, as quatro verdades destacadas anteriormente ainda se aplicam em nossa vida. De maneira prática, o que isso significa? Que um cristão se casará não porque essa é a sua decisão, mas porque é a de Deus; que um homem cristão deve confiar no Altíssimo tanto para escolher como para preparar sua parceira; e que, por outro lado, uma mulher cristã precisa confiar no Senhor a fim de ser preparada para o marido que o Todo-Poderoso lhe designou.

Significa também que um homem cristão, ao andar de acordo com a vontade do Pai, descobrirá que o Senhor irá encaminhar-lhe a parceira escolhida por Ele. Por sua vez, uma mulher cristã permitirá que Deus a guie até o marido preparado para ela.

Além de tudo isso, significa que o propósito último do casamento ainda é, atualmente, o mesmo de Adão e Eva – a união perfeita. Contudo, apenas aqueles que preenchem os três primeiros requisitos podem contar com a realização plena do último propósito.

Alguns podem ser tentados a considerar esses princípios como antiquados ou “superespirituais”. No entanto, nunca houve uma desvalorização da moeda do Reino de Deus nem um decréscimo de seus padrões. Para aqueles que são verdadeiros seguidores de Jesus, os requisitos são os mesmos dos Seus dias. Graças ao Senhor, porém, porque as recompensas também são!

Para mim, esses princípios não são meras teorias abstratas. Em meus dois casamentos, eles foram exatamente aplicados, como relatarei nos dois próximos capítulos. Em cada situação, a decisão de me casar originou-se em Deus, e não em mim. De fato, eu mesmo nem estava buscando matrimônio. Em ambos os casos, o Senhor escolheu, preparou e trouxe a esposa para mim. Mais importante de tudo, cada um dos meus relacionamentos produziu um grau de união que poucos casais experimentam hoje.

Tudo isso não foi resultado de alguma teoria teológica elaborada, que eu tenha seguido, sobre como um homem deve casar-se – pelo contrário, foi-me dado por soberana orientação e pela regência do Espírito Santo em minha vida. Muitas vezes, eu sequer estava consciente de que era o Consolador atuando. Gradualmente, contudo, enquanto ponderava acerca do curso da minha existência à luz das Escrituras, passei a enxergar, em cada um dos meus casamentos, como Deus tinha trabalhado exatamente de acordo com o padrão que Ele mesmo estabeleceu no princípio. Compartilho esses princípios agora porque sei que eles funcionam. Não posso desejar aos meus companheiros cristãos felicidade maior do que a que eles me trouxeram.

Essa breve análise do padrão bíblico para o casamento vai totalmente de encontro com os padrões do mundo de hoje, dos quais muitos são aceitos até em determinadas igrejas. A atitude predominante acerca do casamento em qualquer cultura ou civilização é, geralmente, um medidor acurado que revela seu estado moral e espiritual. O declínio de uma cultura é marcado pelo fracasso em seu respeito pelo casamento. De maneira similar, a renovação de uma cultura é sinalizada com uma correspondente valorização do matrimônio.

Há muitas passagens na Bíblia que mostram como o casamento é afetado tanto em períodos de declínio como em momentos de restauração. Referente à primeira circunstância, podemos citar, como exemplo, a passagem de Jeremias 25.10,11, na qual Deus alerta o povo de Judá sobre a desolação que iria acometê-lo em decorrência da invasão iminente de Nabucodonosor: Darei fim às vozes de júbilo e de alegria, às vozes do noivo e da noiva, ao som do moinho e à luz das candeias. Toda esta terra se tornará uma ruína desolada, e essas nações estarão sujeitas ao rei da Babilônia durante setenta anos.

Semelhantemente, em um trecho do Apocalipse, o apóstolo João descreve um quadro da destruição do sistema do anticristo, conhecido como a Grande Babilônia no fim dos tempos:

Nunca mais se ouvirá em seu meio o som dos harpistas, dos músicos, dos flautistas e dos tocadores de trombeta. Nunca mais se achará dentro de seus muros artífice algum, de qualquer profissão. Nunca mais se ouvirá em seu meio o ruído das pedras de moinho. Nunca mais brilhará dentro de seus muros a luz da candeia. Nunca mais se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva. Seus mercadores eram os grandes do mundo. Todas as nações foram seduzidas por suas feitiçarias.

Apocalipse 18.22,23

Uma característica central e óbvia comum a essas descrições de declínio e desolação é o silenciamento da voz do noivo e da noiva. Uma cultura que não faz mais da celebração alegre do casamento o centro do seu modo de vida já se encontra condenada ou está caminhando para a condenação.

A respeito da segunda circunstância, podemos constatar que é, da mesma forma, verdadeira. A restauração de uma cultura será marcada pela renovação do casamento como fonte de alegria e razão de celebração. Em Jeremias 33.10,11, Deus promete restaurar Judá e Israel no fim dos tempos:

Assim diz o SENHOR: “Vocês dizem que este lugar está devastado, e ficará sem homens nem animais. Contudo, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, que estão devastadas, desabitadas, sem homens nem animais, mais uma vez se ouvirão as vozes de júbilo e de alegria, do noivo e da noiva, e as vozes daqueles que trazem ofertas de ação de graças para o templo do SENHOR, dizendo: ‘Deem graças ao SENHOR dos Exércitos, pois ele é bom; o seu amor leal dura para sempre’. “Porque eu mudarei a sorte desta terra como antigamente”, declara o SENHOR.

Mais uma vez nesse cenário – tanto na desolação, como na restauração –, noiva e noivo são os principais. Pelos padrões das Escrituras, a restauração de um povo é incompleta a não ser que proclamada pela voz do noivo e da noiva.

Muitas forças podem enfraquecer as fundações bíblicas do casamento. O humanismo secular, por exemplo, apresenta o matrimônio como um tipo de contrato social no qual as partes são livres para determinar, modificar ou anular seus próprios termos e suas condições conforme a variação de seus sentimentos. As pessoas que abordarem o casamento dessa maneira nunca experimentarão a plenitude física e espiritual que a Bíblia promete àqueles que seguem seus princípios.

Por outro lado, a religião formal sem a graça de Deus pode ter um efeito no casamento quase tão nocivo quanto o do humanismo secular, visto anteriormente. Tanto o romance como a paixão – às vezes, negligenciados por essa religião – são componentes integrais para o casal, como foi revelado na Bíblia. Cada um é descrito vívida e belamente no livro de Cântico dos Cânticos. Um casamento sem esses itens está, pelos padrões bíblicos, tristemente incompleto. Romance sem paixão acaba em frustração. Paixão sem romance é nada mais do que luxúria sensivelmente velada.

Ao longo dos séculos, a Igreja tem falhado em fornecer um quadro de casamento completo, que aborde cada uma das áreas da personalidade humana – espiritual, emocional e física. O sexo tem sido tratado como uma necessidade deplorável, algo que requer algum tipo de justificativa. É quase considerado uma aberração do Criador! Certamente, essa não é a visão de Deus. Ele criou o homem e a mulher como seres sexuais e, então, após inspeção minuciosa, declarou tudo “muito bom” – incluindo sua sexualidade.

Hoje, ao redor do mundo, o Senhor tem visitado e renovado Sua Igreja por intermédio do Espírito Santo. Essa renovação deve ser tão proclamada, pelas vozes da noiva e do noivo, quanto tem sido a renovação divina. A Igreja não pode experimentar uma restauração completa ou válida a menos que, mais uma vez, ela abrace o padrão bíblico do matrimônio. Isso deve incluir não só a cerimônia de casamento e a vida que se passará a ter, mas também os passos que levam a ela.

Esse princípio se aplica a quase todas as formas de atividade humana. O processo de preparo é, geralmente, um fator essencial para o alcance de um resultado satisfatório. Um casal que decide construir uma casa, por exemplo, deve passar por meses de preparação antes de receber as chaves e instalar-se nela. É preciso, antes, escolher um terreno, contratar um construtor e um arquiteto, discutir os diferentes planos e as inúmeras decisões que dizem respeito aos detalhes sobre estilo e decoração. Um casal que não demonstra interesse algum por sua moradia durante o período de preparação da mesma está condenado a desagradáveis frustrações e desapontamentos depois que passar a viver nela.

Se isso é verdade para uma casa construída com tijolos, pedras ou madeira, quanto mais será para uma “casa” construída com “pedras vivas” – seres humanos, criaturas de complexidade e potencial imensuráveis?

Não, um casamento bem-sucedido não começa com a festa de casamento. Sua fundação é lançada muito antes – primeiro, na preparação cuidadosa do caráter, e, depois, na combinação de um homem e uma mulher designados por Deus um para o outro.

Um casal que se casa despreparado e pobremente combinado está condenado, na melhor das hipóteses, à frustração sem fim e, mais frequente do que se imagina, ao fracasso total. Por outro lado, um homem e uma mulher cristãos que permitiram ao Espírito Santo moldá-los e guiá-los pelo caminho bíblico que leva à cerimônia de casamento podem esperar confiantes por uma vida de casados repleta de satisfação e deleite mútuos.

 

Saiba mais sobre a importância do casamento lendo a obra Deus forma casais, por Derek Prince e Ruth Prince.

 

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