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Davi

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019 | 444 acessos | Deixe seu comentário!

Então, disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.

1 Samuel 16.1

Saul fora rejeitado como rei de Israel, e Deus disse a Samuel que não lamentasse mais por ele. A tristeza do profeta pela rejeição de Saul e suas orações fervorosas por ele mostravam sua afeição pelo rei. Tinha muitas esperanças em relação a Saul, mas ficou bastante decepcionado com ele. Apesar de saber que tinha sido a desobediência de Saul que o colocara em tão triste situação, Samuel parecia ter uma esperança remota de que Saul ainda pudesse cair em si. Mas isso não aconteceu. O propósito declarado de Deus de transferir o reino de Israel para outras mãos era um decreto definitivo e irrevogável.

A unção e designação de um novo rei eram de vital importância para os interesses da nação. Tinha de ser feito antes da morte de Saul, a fim de evitar que surgissem rivais para o trono e toda a nação se envolvesse em uma guerra civil.

Saul tinha sido a escolha do povo. Deus estava a ponto de fazer a Sua escolha. Samuel deveria encher um vaso de azeite e ir imediatamente a Belém. Isso, porém, envolvia um problema. Porém disse Samuel: Como irei eu? Pois, ouvindo-o Saul, me matará (v. 2a). Ao que parece, Saul já estava atormentado com a enfermidade que o fazia explodir em crises de fúria incontrolável e cruel. O Senhor disse a Samuel o que deveria fazer. Como sacerdote, era sua função oferecer sacrifícios e holocaustos. A princípio, isso só deveria ser feito em Siló, mas a arca da Aliança não estava mais lá; portanto, não havia um lugar central de adoração.

Os moradores de Belém temem a visita de Samuel

O profeta levou uma novilha consigo e foi para Belém, a fim de fazer o sacrifício. Embora Belém não estivesse no seu itinerário usual, sua visita deixou os anciãos da cidade alarmados, pois temiam que, de alguma maneira, tivessem ofendido Deus, ou talvez soubessem da ruptura entre Samuel e Saul e tinham medo de serem envolvidos na questão.

De qualquer maneira, os líderes da cidade tremeram com a chegada de Samuel e perguntaram: De paz é a tua vinda? (1 Sm 16.4b). O profeta os tranquilizou e pediu que fizessem os preparativos para a cerimônia que seria realizada na cidade. Jessé foi convidado a comparecer com seus filhos, os quais deviam ocupar seus lugares no local da festa. Samuel foi extremamente cuidadoso na questão da santificação da família de Jessé. Quando terminou a cerimônia, Samuel quis conhecer os filhos de Jessé. Ao ver o primogênito, Eliabe, o profeta pensou consigo mesmo: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido (v. 6). Mas não foi assim.

Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

 1 Samuel 16.7

Samuel, então, esperou que Jessé chamasse todos os filhos. Eram oito no total. Quase todos estavam presentes. Faltava Davi, o qual tinha ficado cuidando das ovelhas da família, em vez de participar da cerimônia. Parece evidente que Jessé não levava o filho mais novo muito a sério. Para ele, Davi parecia mais interessado em compor hinos e poesias do que encontrar uma colocação na vida. Quanto à sua mãe, acredita-se que se tratava de uma mulher temente a Deus, a qual exercia uma influência santa sobre Davi. Em mais de uma ocasião nos salmos, Davi refere a si mesmo como “o filho da serva de Deus”.

Provavelmente, ela contou-lhe a história de Rute, a avó do seu marido, e sua decisão para com Deus. Uma pergunta que podemos fazer, mas nunca poderá ser respondida, é a seguinte: será que Obede, filho de Rute e avô de Davi, estava presente na cerimônia dirigida por Samuel? É algo absolutamente possível. De qualquer forma, quando Davi apresentou-se diante de Samuel e todos os presentes, Deus falou com o profeta e disse-lhe que aquele era o escolhido, de maneira que Samuel pegou o vaso de azeite e ungiu o rapaz com óleo.

Será que, naquele momento, Samuel explicou publicamente a Davi o sentido da unção? É pouco provável, pois a notícia chegaria rapidamente a Saul, o que, com certeza, resultaria em trágicas consequências. Davi, entretanto, logo aprendeu o segredo do seu destino, pois desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi (1 Sm 16.13). Em seguida, Samuel voltou para Ramá, para a superintendência da escola de profetas. Acabara de realizar o último ato público importante de sua vida cheia de significado.

Davi vai para a corte de Saul

Davi retornou pensativo para junto dos rebanhos de ovelhas e refletiu sobre o significado dos estranhos acontecimentos nos quais estivera envolvido. Mesmo assim, não desprezou as suas tarefas de pastor de ovelhas, como se, naquele momento, não tivessem mais significados para ele. Davi amava as ovelhas. Algum dia, o Espírito de Deus iria inspirá-lo a escrever aquele salmo maravilhoso: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará (Sl 23.1).

Enquanto o Espírito do Senhor manifestava-Se sobre Davi, algo estranho e diferente acontecia na vida de Saul. Depois de ter sido duramente repreendido pelo profeta Samuel por sua desobediência na questão que envolvia os amalequitas, Saul parecia mais abandonado do que nunca. Tornou-se mal-humorado, vingativo, depressivo, o que causava profunda preocupação entre seus servos. De fato, seu comportamento já mostrava sintomas de distúrbios mentais.

E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau, da parte do SENHOR1 Samuel 16.14

É interessante notar que os servos entenderam a origem da enfermidade que o rei estava sofrendo. Sua desobediência consciente a Deus abrira o caminho para que um espírito maligno se apossasse dele. Ainda hoje, muitas pessoas não reconhecem a presença de espíritos demoníacos e dão outros nomes às moléstias causadas por eles. O fato de os servos de Saul terem entendido e discernido o espírito de insanidade comprova o fato de que as pessoas nos dias do Antigo Testamento sabiam muito mais sobre o mundo espiritual do que estamos inclinados a acreditar.

Os servos do rei perceberam que alguma coisa tinha entrado na mente dele. Talvez tenham notado que ele se sentava durante longos períodos em uma espécie de transe, do qual era difícil tirá-lo. Começaram, então, a buscar todos os meios para aliviar a aflição do rei e acalmar seu espírito. Nada, entretanto, dava resultado. Finalmente, reuniram-se com o rei e o aconselharam a contratar um músico que pudesse tocar e cantar para ele, a fim de distrair seus pensamentos quando entrasse naquelas crises de melancolia. A música tem, em grande medida, o poder de aquietar as emoções de um espírito perturbado (veja 2 Rs 3.15).

Então, os criados de Saul lhe disseram: Eis que agora um espírito mau, da parte do Senhor, te assombra. Diga, pois, nosso senhor a seus servos, que estão em tua presença, que busquem um homem que saiba tocar harpa; e será que, quando o espírito mau, da parte do SENHOR, vier sobre ti, então, ele tocará com a sua mão, e te acharás melhor. Então, disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que toque bem e trazei-mo.

1 Samuel 16.15-17

A sugestão foi imediatamente aceita por Saul, o qual pediu que procurassem um homem que tocasse bem e fosse levado à corte. Foi, então, que um dos servos lembrou-se de um jovem: o filho de Jessé, proveniente de Belém, o qual possuía habilidades musicais incomuns.

Os mensageiros foram enviados imediatamente a Jessé, pedindo que seu filho comparecesse à corte do rei. Não sabemos como Jessé sentiu-se a respeito. Pode ter suspeitado que a convocação tivesse algo a ver com a recente visita de Samuel e a unção de Davi. De qualquer forma, ocupou-se em preparar um presente para o rei. Certamente, o coração de Davi bateu mais forte quando ouviu a mensagem do rei Saul! Ele amava sua harpa e era mestre no manuseio de suas cordas, mas nunca imaginara que este seria o meio de alcançar a proeminência. Sua viagem até o palácio de Saul certamente foi cheia de entusiasmo e antecipação.

A distância entre Belém e Gibeá era menos do que um dia de viagem – cerca de 12km. No caminho, teriam de passar perto de Jerusalém, que ainda estava parcialmente nas mãos dos jebuseus. A visão daquela cidade, do alto do monte das Oliveiras, deve ter impressionado profundamente o jovem Davi. Algum dia, ele transformaria Jerusalém na capital do seu reino.

Chegando a Gibeá, Davi foi informado a respeito dos sintomas peculiares do rei, e que deveria estar preparado para os ataques de violência. Quando, porém, foi apresentado pela primeira vez a Saul, este não parecia estar em uma de suas crises de depressão. Quando Davi tocou a harpa, o rei ficou satisfeito e, notando a graça e a habilidade com que ele tocava, Saul se congratulou, sabendo que tinha encontrado um músico excelente. Enviou uma mensagem de volta a Jessé, dizendo que gostara tanto do jovem que desejava que Davi permanecesse com ele e fosse seu escudeiro (vv. 21,22).

Davi toca a harpa diante de Saul

O verdadeiro teste, entretanto, ainda estava por vir. Não demorou muito para que o espírito de depressão atacasse novamente Saul. Quando Davi foi convocado à presença do rei, viu sentado diante dele um homem que o olhava com um brilho nos olhos, o qual nunca vira antes. Era uma visão assustadora. Davi, porém, segurando sua harpa firmemente, sentou-se perto do rei e começou a tocar e cantar! Pode-se apenas conjeturar sobre o que ele cantou, mas tem-se quase certeza de que suas canções eram antigos louvores a Deus pelas vitórias e glórias passadas, e, talvez, muitos deles sejam os que encontramos nos salmos.

Saul ouvia com profunda satisfação, e sua depressão, então, começou a desaparecer. Davi não apenas cantava, mas louvava no Espírito. Os demônios tremem diante do poder do louvor e da adoração. Não muito tempo depois, o espírito maligno foi completamente subjugado, e o rei começou a conversar com o jovem. Estava bem novamente, pois o poder maligno tinha ido embora. Se Saul ao menos tivesse determinado servir o Senhor a partir daquele momento, o espírito nunca mais teria voltado. Durante séculos, muitas pessoas têm lido os salmos de Davi e têm encontrado refrigério e paz interior.

E sucedia que, quando o espírito mau, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele.

1 Samuel 16.23

Infelizmente, Saul era demasiadamente escravizado por suas paixões para poder receber uma libertação permanente.

Enquanto isso, Saul recebeu notícias de uma nova ameaça. Os filisteus tinham-se mobilizado e invadiram a terra de Israel com seus exércitos. A indisposição de Saul tinha feito com que negligenciasse a defesa nacional. No entanto, naquela situação, tinha de dedicar-se à tarefa de fazer os preparativos para a batalha iminente contra os filisteus. Davi, vendo que seus serviços não seriam necessários, voltou para Belém a fim de cuidar dos seus rebanhos.

Existe outra razão possível para Davi ter voltado tão rápido para sua cidade. Saul pode ter achado que, naquele momento, estava completamente curado e, com a ingratidão comum nos convalescentes, não queria ser lembrado da sua doença pela presença da pessoa que o havia curado.

Davi e Golias

Não sabemos quanto tempo Davi ficou em Belém enquanto se desenrolavam os eventos envolvendo o gigante Golias. Os filisteus tinham provado ser o povo mais duro e mais belicoso entre todas as nações da terra de Canaã. O território dos filisteus ficava localizado à beira-mar e provavelmente dedicavam-se ao comércio marítimo. Tinham bons ferreiros, e as referências anteriores aos artefatos de ouro, os quais foram oferecidos com a devolução da arca, indicam que havia o trabalho de artesãos e ourives. Os filisteus possuíam recursos tão abundantes para a guerra, que se tornaram a ameaça mais séria enfrentada por Israel.

O método de guerra dos filisteus era fazer ataques rápidos e de surpresa, seguidos de saque. Tomavam uma colina ou posição privilegiada e construíam uma guarnição fortificada. De lá, enviavam destacamentos de soldados para saquear os depósitos dos habitantes locais.

Os filisteus, tendo sido colocados em fuga por Saul e Jônatas pouco tempo antes, estavam sedentos por vingança. Supunham que tinham encontrado um campeão imbatível no gigante Golias, e isso os encorajou a tentar uma nova investida contra Israel. Dessa forma, as tropas dos filisteus e as de Israel ficaram frente a frente nas duas colinas opostas do vale de Elá, a, aproximadamente, 12km de Belém. Naquele vale, corria um ribeiro de águas, flanqueado pelas montanhas em ambos os lados, de maneira que os soldados dos dois exércitos podiam ver o que se passava no vale.

Em termos físicos, o campeão filisteu era uma figura impressionante. De acordo com as estimativas, tinha quase três metros de altura. Carregava uma armadura que pesava mais de 68kg. Por ser capaz de carregar uma armadura tão pesada, tornava-se quase invulnerável ao ataque de flechas e lanças. Além disso, um escudeiro carregava um escudo diante dele. Todos os dias, esse filisteu descia até o vale e lançava desafios e impropérios aos soldados israelitas.

E parou, e clamou às companhias de Israel, e disse-lhes: Para que saireis a ordenar a batalha? Não sou eu filisteu, e vós, servos de Saul? Escolhei dentre vós um homem que desça a mim. Se ele puder pelejar comigo e me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer e o ferir, então, sereis nossos servos e nos servireis. Disse mais o filisteu: Hoje, desafio as companhias de Israel, dizendo: Dai-me um homem, para que ambos pelejemos.

1 Samuel 17.8-10

Assim se repetia todos os dias: o gigante descia ao vale, diante do acampamento dos israelitas, desafiando-os a enviar alguém para enfrentá-lo. Caminhava diante das linhas inimigas, clamando em tom arrogante e proferindo ofensas e desafios contra eles.

Diante da visão formidável do gigante, não é de se estranhar que o desânimo tenha tomado conta dos soldados do rei Saul. Não havia resposta para o desafio de Golias por parte dos filhos de Israel. Para piorar ainda mais a situação, não havia quem buscasse a direção de Deus e a instrução por meio do Urim e do Tumim. Com relação a Saul, a única tentativa que fez para resolver a situação foi prometer riquezas e a mão da sua filha ao homem que derrotasse o gigante.

Os irmãos mais velhos de Davi foram convocados para integrar o exército, mas ele, é claro, teve de ficar para trás para cuidar dos rebanhos. Mesmo assim, sua mente estava voltada para os problemas nacionais. Pensava sobre o perigo da ameaça dos filisteus e, sem dúvida, fazia exercícios constantemente com a funda, a única arma que tinha à disposição. Um oficial do rei chegou à sua casa, não para procurá-lo, mas para recrutar seus irmãos. Davi foi considerado muito jovem. Ele ficou para cuidar das ovelhas, com sua harpa, enquanto 40 dias se passavam.

Davi vai à frente da batalha

Jessé estava preocupado com a longa ausência dos filhos e perguntava-se o que estaria acontecendo na frente da batalha. Ocorreu-lhe enviar Davi como mensageiro aos irmãos para saber qual era a situação e também levar provisões para eles: dez pães e grãos de milho tostados. Além disso, enviou alimentos para os comandantes dos filhos. Davi aceitou rapidamente o pedido do pai, pois, interiormente, também estava satisfeito pela oportunidade de ir à frente da batalha.

Chegando ao local da peleja, Davi logo ficou sabendo que a campanha estava em um impasse. Ambos os exércitos pareciam estar com medo de tomar uma iniciativa. Na guerra de nervos, a vantagem maior estava com os filisteus. Todos os dias, o gigante Golias saía e apresentava-se diante dos israelitas, desafiando-os a enfrentá-lo. O efeito cumulativo desse desafio diário era muito ruim para a moral das tropas israelitas.

Exatamente no momento em que Davi chegou ao acampamento, Golias estava no vale fazendo seu desafio. Houve um grande clamor e tumulto, e Davi concluiu que algo importante estava acontecendo. Olhando para o vale, viu o arrogante filisteu gritando ameaças e obscenidades contra os israelitas.

Imediatamente, Davi começou a fazer perguntas. Por que todos estavam com tanto medo do desafio do filisteu? Em sua mente, ele já estava imaginando o melhor método para enfrentar o campeão, quando um comentário casual feito por um soldado chamou sua atenção.

E diziam os homens de Israel: Vistes aquele homem que subiu? Pois subiu para afrontar a Israel. Há de ser, pois, que ao homem que o ferir o rei o enriquecerá de grandes riquezas, e lhe dará a sua filha, e fará isenta de impostos a casa de seu pai em Israel.

1 Samuel 17.25

Talvez, em sua visita anterior à corte de Saul, Davi tenha tido a oportunidade de conhecer as filhas do rei. Começou a falar com entusiasmo para o pequeno grupo de homens ao seu redor, dizendo que era uma vergonha que não houvesse alguém disposto a aceitar o desafio do gigante, e, de fato, ele próprio estava disposto a descer até o vale. Os homens não riram de Davi, mas logo houve uma grande audiência reunida para ouvir o que ele tinha a dizer. Para seu desgosto, seu irmão Eliabe entrou em cena. Aquele era o tipo de situação que Eliabe fazia de tudo para evitar, pois queria causar uma boa impressão sobre seu comandante. No entanto, lá estava seu irmão mais novo falando e exibindo-se. Usou as palavras mais agressivas que pôde lembrar contra Davi.

E, ouvindo Eliabe, seu irmão mais velho, falar àqueles homens, acendeu-se a ira de Eliabe contra Davi, e disse: Por que desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção e a maldade do teu coração, que desceste para ver a peleja.

1 Samuel 17.28

Assim, Eliabe fez com que Davi parecesse uma criança irresponsável, dizendo que ele se divertia longe de casa e esperava assistir a algo emocionante. Davi, entretanto, não se abalou nem explicou que tinha sido enviado para levar provisões aos irmãos. Se tivesse feito isso, o episódio poderia ter-se transformado em uma briga de família. Davi percebeu o perigo e evitou. Olhou, desafiadoramente, para seu irmão e perguntou: Que fiz eu agora? Porventura, não há razão para isso? (1 Sm 17.29)

Davi pede permissão para lutar com Golias

Davi se voltou para os soldados e continuou sua conversa. Para surpresa de Eliabe, eles estavam mais interessados em Davi do que nele. De fato, quando as notícias se espalharam pelo acampamento, um dos oficiais mais graduados aproximou-se para ouvir o jovem que estava disposto a descer ao vale e enfrentar Golias. Um oficial levou Davi até a presença do rei Saul, e Eliabe voltou ao seu posto, envergonhado e confuso.

Por muitos dias, Saul ficou perplexo diante da situação. Não estava disposto a afastar-se da sua posição estratégica na colina e arriscar um ataque contra os filisteus. No entanto, devido ao espetáculo diário do desafio de Golias, a situação agravava-se rapidamente e exigia uma atitude. Quando ouviu a respeito das palavras de Davi, ficou feliz; porém, quando o viu, ficou decepcionado, pois o considerava muito jovem. Porém Saul disse a Davi: Contra este filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu ainda és moço, e ele, homem de guerra desde a sua mocidade (1 Sm 17.33).

Davi estava determinado a não perder a oportunidade, por isso começou a enumerar seus atos de bravura quando estava defendendo suas ovelhas. Disse mais Davi: O SENHOR me livrou da mão do leão e da do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Esse era o espírito necessário para enfrentar aquela situação. Reconhecendo isso, Saul disse ao jovem: Vai-te embora, e o SENHOR seja contigo. (1 Sm 17.37b).

É bem possível que Saul, sendo um guerreiro experiente, também tenha percebido a oportunidade. Não poderia enviar seu melhor soldado e vê-lo ser derrotado por Golias. Tal espetáculo causaria o pânico total entre as tropas israelitas. Enviar, porém, um jovem inexperiente contra um gigante tão formidável faria com que Golias fizesse um papel ridículo. Se matasse Davi, não haveria mérito na ação e ainda suscitaria a indignação geral dos israelitas, que iriam desejar vingar sua morte. Seria necessário que Saul tivesse seus homens preparados para atacar assim que o resultado do duelo se tornasse aparente, qualquer que fosse ele. Dessa forma, poderiam obter uma vantagem sobre o inimigo.

A questão que surgiu foi sobre que armadura Davi usaria. Ansioso que Davi tivesse o melhor equipamento disponível, o próprio rei escolheu um elmo e uma veste de malha e os colocou à disposição do jovem. Depois de experimentar a indumentária, Davi achou melhor tirar tudo, pois eram pesados demais e atrapalhavam seus movimentos. A estratégia imaginada por ele exigia movimentos rápidos de sua parte. Deixando a armadura do rei para trás, Davi desceu ao ribeiro e escolheu cinco pedras lisas, as quais guardou no seu alforje de pastor.

Supõe-se que, ao abandonar a armadura, Davi abriu mão de qualquer vantagem no duelo. Em outra circunstância, isso teria sido um erro, mas a genialidade de Davi estava justamente na escolha que fez. Não poderia competir com o gigante se usasse o método dele de lutar. Seu plano era determinar seus próprios termos para a luta. Golias movia-se lentamente, enquanto Davi podia correr em volta dele, mantendo-se fora do alcance de suas armas e esperando o momento mais favorável para atirar uma pedra bem na sua cabeça.

Os homens de Israel tinham recebido as notícias de que as palavras de Davi não eram apenas tagarelice vazia; ele desceria até o vale para enfrentar o gigante. Enquanto observavam, os soldados estavam sérios e silenciosos. O mínimo que podiam fazer era apoiar o jovem que estava disposto a sacrificar a própria vida por eles. Mesmo seus irmãos agora percebiam que havia algo de heroico em Davi, o que nunca tinham reparado antes. Os homens de Israel haviam recebido suas ordens e sabiam que a vitória ou a derrota aguardava por eles antes que terminasse aquele dia.

Davi desce para enfrentar o gigante

A notícia de que Davi aceitara o desafio do gigante causou sensação no acampamento filisteu. Com o passar das semanas, tinham ficado cada vez mais confiantes e descuidados, vendo que o campeão tinha intimidado completamente os israelitas. Insultos e piadas haviam ecoado pelo vale, vindos do acampamento filisteu, até o momento em que divisaram a figura do jovem avançando por um terreno neutro. Caiu um pesado silêncio sobre os dois acampamentos, enquanto cada soldado, de ambos os lados, observava com supremo interesse cada movimento que era feito em direção ao vale.

Davi avançava e se aproximava cada vez mais do adversário. Não tinha armadura, elmo, escudo ou espada. Saul, observando-o do alto da colina, voltou-se para seu comandante Abner e perguntou: De quem é filho este jovem, Abner? (1 Sm 17.55b) O rei deveria ter reconhecido o jovem, pois estivera tocando harpa diante dele. Apesar disso, havia várias razões que explicavam por que não foi capaz de reconhecer Davi. Primeiro, Saul não manteve Davi por muito tempo na corte e, na ocasião, fora seriamente afligido por uma crise de depressão. Por causa disso, as feições de Davi eram muito vagas em sua memória. Segundo, o rapaz estava naquela idade em que o crescimento e as mudanças físicas acontecem muito rápido. O início de uma barba atrapalharia ainda mais o reconhecimento. É possível reconhecer as pessoas por associação. Todos nós já tivemos a experiência de ver uma pessoa conhecida em um local inesperado e não sermos capazes de reconhecê-la, por não esperarmos vê-la naquele lugar. A última pessoa que Saul esperaria que enfrentasse o gigante era o seu jovem menestrel! O rosto lembrava vagamente alguém, mas Saul não soube com certeza quem era até Davi voltar da batalha.

Os dois exércitos observavam ansiosamente o drama que se desenrolava. Golias agora se aproximava. Os filisteus esperavam ver outro gigante saindo das fileiras israelitas para enfrentar Golias, mas de repente perceberam que Davi era apenas um rapaz. Os insultos e as zombarias desapareceram enquanto olhavam os estranhos e inesperados acontecimentos.

Golias ficou indignado com a situação, ao ver que quem ia enfrentá-lo era apenas um garoto. A diferença de tamanho entre os dois era inacreditável. Furioso, o gigante gritou para Davi: Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o filisteu amaldiçoou a Davi, pelos seus deuses (1 Sm 17.43).

Davi percebeu que seu oponente estava cego de fúria e replicou palavras sobre sua fé no Deus de Israel.

Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu vou a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão; e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às bestas da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel. E saberá toda esta congregação que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão.

1 Samuel 17.45-47

E, assim, começou o duelo entre os dois adversários desiguais. O filisteu grandalhão, com sua armadura pesadíssima, movia-se lentamente. Davi tinha mais mobilidade, por isso ficou girando em volta, até conseguir uma boa posição. Golias não parava de lançar seus insultos, mas Davi observava, esperando uma oportunidade. No momento em que o gigante baixou os braços para descansar, Davi encontrou a abertura que estava esperando. Atirando uma pedra violentamente com sua funda, viu que ela foi rápida e diretamente no alvo. O filisteu caiu no solo, atônito. Antes que o escudeiro pudesse recobrar-se da surpresa, Davi tirou a espada de Golias e cortou a cabeça dele, levantando-a para que os dois exércitos pudessem ver.

Era o momento pelo qual os israelitas estavam esperando! Os filisteus, totalmente despreparados para esse resultado, viraram-se e fugiram. Os soldados israelitas passaram por Davi, em perseguição aos inimigos. Os filisteus, tomados de pânico, eram mortos pelos israelitas. A morte do campeão abalou profundamente a coragem deles e, no final do dia, todo o exército filisteu foi colocado em fuga. Israel perseguiu os filisteus até os portões de Ecrom e, então, os soldados israelitas voltaram para saquear seus acampamentos (v. 53).

Quanto a Davi, levou a cabeça do gigante para Jerusalém. O monte Sião ainda estava nas mãos dos jebuseus, mas a parte baixa de Jerusalém pertencia aos israelitas. Havia algo em Jerusalém que atraía Davi. Mesmo naquela época, supõe-se que ele imaginava que aquela cidade seria um local maravilhoso para a capital da nação. Isso, porém, era um segredo em seu coração. Não seria um segredo por muito tempo. Logo o próprio rei Saul veria no jovem, que salvou o dia para Israel, um rival e, daquele momento em diante, tornar-se-ia o inimigo mais amargo e incansável de Davi.

Se você deseja conhecer mais profundamente a história e o legado do maior rei que Israel já teve, adquira os volumes 20, 21, 22 e 23 da Série Heróis da Fé –Antigo Testamento –Gordon Lindsay e tenha um ótimo estudo.

 

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