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Onde está o meu lugar de habitação?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017 | 624 acessos | Deixe seu comentário!

Por apenas um minuto, pense onde você gostaria de estar caso quisesse se sentir protegida e em paz mais do que se sentiria em qualquer outro lugar do mundo. Lembro–me de que, em minha infância, eu acordava no meio da noite sentindo medo. Então, na ponta dos pés, ia para o quarto dos meus pais e entrava por debaixo dos lençóis bem devagar. Eu deitava ali – ouvindo silenciosamente a respiração dos meus pais, sentindo-me aconchegada e protegida. Antes que eu percebesse, o medo passava, e eu caía no sono profundo.

Tenho certeza de que você consegue pensar em algo que lhe representa segurança. Ao pensar em segurança e proteção, algumas memórias de infância logo vêm à minha mente. Meu pai foi um homem musculoso, pois jogou futebol americano nos anos do Ensino Médio e da faculdade. Contudo, ele interrompeu os estudos para servir ao Exército durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto papai estava em serviço, minha mãe, que estava grávida de meu irmão mais novo, e eu morávamos com meus avós no Condado de San Saba, Texas.

Embora eu fosse muito nova naquela época, ainda me lembro do dia em que senti uma extrema felicidade: meu pai, inesperadamente, abriu a porta e entrou na sala de estar da minha avó. Antes daquele dia, eu me sentia atormentada e com medo, pois algumas crianças da minha vizinhança diziam que eu jamais o veria outra vez. Como se estivessem contando histórias de terror, elas me assombravam dizendo que ele voltaria para casa em um caixão. Quando meu pai entrou por aquela porta, tive uma sensação de paz e segurança, a qual permaneceu comigo pelo resto do tempo em que ele serviu ao Exército.

Naquela época, já havia passado da hora do meu irmãozinho nascer. Quando eu fiquei mais velha, descobri que o regimento do meu pai estava sendo realocado de trem de Long Beach, Califórnia, para Virginia Beach, Virgínia. No caminho para Virgínia, o trem passou por Fort Worth, Texas, onde meu pai pegou uma carona para San Saba, na esperança de ver seu novo filho. Na volta, ele viajou de carona outra vez até alcançar o trem pouco antes de chegar ao destino final.

A lembrança de meu pai entrando naquele cômodo ainda causa uma sensação de calma e paz à minha alma. Na verdade, esse acontecimento foi fundamental para que eu, mais tarde, buscasse a segurança que a presença do Pai celestial pode trazer.

Quando eu penso sobre habitar no abrigo de Deus, logo tenho outra memória de infância. Meus pais costumavam levar meus irmãos mais novos e eu a um lago. Esse local, conhecido por poucas pessoas, era maravilhoso para pescar percas1, e nós, crianças, amávamos esse tipo de peixe. Eu sentia uma emoção tão grande ao ver a rolha de pesca subir e descer até, de repente, sumir de vista. Havia poucas coisas de que eu gostava mais do que puxar a velha vara e capturar uma grande perca. Meu pai, por outro lado, tinha uma boa razão para nos fazer pescá–las. Ele as usava como isca no espinel2 que havia estendido por toda a extensão de uma enseada do lago. Esse artefato corresponde a cerca de 25 varas de pescar com iscas.

Papai guiava o barco até o local onde havia instalado o artefato, desligava o motor e, então, avançava devagar pela água enquanto checava o espinel. Ele o segurava e puxava todos os ganchos em que havia colocado as iscas, verificando cada anzol, na esperança de que tivesse pegado um grande peixe-gato.

Eu amava pescar percas, mas era uma emoção ainda maior quando a corda do espinel sacudia, puxando a mão de meu pai. Isso significava que ele tinha fisgado um grande peixe. Então meus dois irmãos e eu víamos, de olhos arregalados, papai lutar contra aquela linha até,  vitoriosamente, puxar um enorme bagre sobre o barco, deixando-o bem aos nossos pés. Dinheiro algum poderia pagar aquela alegria! Um circo e uma festa popular não poderiam competir com aquela emoção da pesca.

Um desses passeios provou ser mais animador do que a maioria e tornou-se uma experiência que jamais esquecerei. O dia começara lindo, mas tudo mudou no momento em que terminamos a nossa pesca de percas e fomos em direção ao espinel. Uma tempestade veio sobre o lago tão subitamente que nós não tivemos tempo de voltar para a doca. O céu escureceu, relâmpagos lampejavam, e pingos de chuva caíam com tanta força quase como se fisgassem a nossa pele a cada toque. Alguns instantes mais tarde, fomos bombardeados com uma chuva de granizos grandes, do tamanho de bolas de gude.

Eu vi o medo nos olhos de minha mãe, então soube que todos nós estávamos em perigo. Antes que eu imaginasse o que faríamos, meu pai levou a embarcação para a costa pedregosa da única ilha daquele lago. Embora haja muitas docas lá nos dias de hoje, naquela época aquela ilha era um local abandonado, sem qualquer lugar em que pudéssemos nos abrigar durante a tempestade.

Em pouco tempo, papai nos tirou do barco e mandou que nos deitássemos no chão ao lado de mamãe. Rapidamente, ele retirou uma lona encerada do fundo do barco, ajoelhou-se ao nosso lado e nos cobriu. A tempestade era violenta fora da tenda improvisada – chovia torrencialmente, relâmpagos reluziam, e trovões ressoavam –, mas eu apenas conseguia pensar em como me sentia com seus braços sobre nós. É difícil de explicar a calma que experimentei sob a proteção do abrigo providenciado pelo meu pai. Na verdade, jamais havia me sentido tão segura e protegida em toda a minha vida. Lembro-me de desejar que a tempestade durasse para sempre. Eu não queria que nada estragasse a segurança maravilhosa que senti naquele dia – em nosso esconderijo secreto. Sentindo os braços protetores e fortes do meu pai ao meu redor, eu não queria que aquilo acabasse.

Eu nunca esqueci aquela experiência. Contudo, atualmente, ela possui um novo significado para mim. Assim como papai colocou uma lona sobre nós para nos abrigar da tempestade, nosso Pai celestial tem um lugar secreto em Seus braços, o qual nos protege das violentas tempestades do mundo em que vivemos.

O medo corre desenfreado ao nosso redor hoje. Até mesmo as crianças cujo lar está repleto de amor familiar sentem a ansiedade crescente que está infestando nossas escolas, ruas, televisões e nossos jornais. A ocorrência dos casos de suicídio está cada vez mais frequente. Ainda assim, você sabia que há um lugar real em Deus para qualquer um que deseja buscar refúgio nEle? Esse é o local de segurança e proteção físicas a respeito do qual Deus nos fala no Salmo 91.

O lugar secreto não é somente literal, como também é condicional! No primeiro versículo, Deus lista as condições que nos cabe antes de mencionar as promessas inclusas na parte que Lhe cabe. Por essa razão, temos de cumprir a nossa parte primeiro. Para descansar na sombra do Onipotente, nós devemos escolher habitar no esconderijo do Altíssimo.

A pergunta é: como habitaremos na segurança e no abrigo do Todo-Poderoso? Mais do que uma experiência intelectual, esse verso fala de uma habitação na qual podemos ter proteção física se corrermos para o Pai. Você pode crer no fato de que o Senhor é seu refúgio e concordar com isso durante suas orações, porém jamais terá essa experiência se não fizer algo a respeito – então levante-se e corra para o abrigo. Eu chamo esse local de refúgio de caminho de amor!

A maioria das crianças têm um esconderijo onde se sentem seguras e protegidas. Entretanto, elas precisam ser ensinadas que, mesmo sendo bons, esses locais não as protegem de tudo. A vida delas somente será transformada quando elas souberem que há um local que as manterá abrigadas de todo mal existente na face da Terra. Que tesouro você lhes dará ao ensinar a elas que Deus afirma ser esse lugar real de segurança se elas se voltarem para Ele. Como, então, as crianças farão isso? Correndo para Ele não com os pés, mas, sim, com o coração! Assim, elas compreendem que estão correndo para o Senhor toda vez que pensam nEle e quando Lhe dizem que O amam.

Meus netos, Cullen e Meritt, frequentemente dormiam em minha casa quando eram pequenos. Sempre que eles terminavam o café da manhã, cada um corria para o seu local secreto para passar algum tempo a sós conversando com Deus. Cullen se escondia em um local atrás do sofá no escritório, e Meritt ia para trás da mesinha de canto do nosso quarto. Esses lugares se tornaram muito especiais para eles.

Onde é seu lugar secreto? Você também precisa da segurança e do abrigo de um esconderijo com o Altíssimo.

* Trecho do livro Salmo 91 para mães, de Peggy Joyce Ruth e Angelia Ruth Schum

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