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Reação em cadeia da mágoa e da raiva

quarta-feira, 9 de julho de 2014 | 5264 acessos | Deixe seu comentário!

imagem-siteDurante uma noite de sono irregular há alguns anos, acordei e saí da cama quando percebi que a luz do corredor próximo ao nosso quarto estava acesa. Barb não estava deitada ao meu lado. Notei que algo estava errado – e tinha a impressão de que eu tinha sido a causa disso. Mais cedo, naquela noite, tínhamos passado por um conflito. Enquanto tentávamos resolver o problema, discutimos. Quando lutava para defender meu ego, soltei um comentário ácido e sutil, algo que proferi sem pensar. Eu sabia que aquilo a havia ofendido, mas ela levou adiante a discussão, como se fosse um jogo. Eu esperava que ela esquecesse, rapidamente, minha observação grosseira.

Os lençóis frios ao meu lado na cama alertaram-me de que ela não havia esquecido. Levantei-me e fui procurá-la. Encontrei-a no quarto de hóspedes – sozinha, ferida e chorosa. Tinha sido uma noite longa e penosa para aquela que eu tinha prometido amar, honrar e cuidar. Meu comentário impensado e defensivo passou do limite. Esse não foi um dos pontos altos em um bom casamento que está crescendo para ser um grande casamento. Eu tinha aberto um ciclo, ofendendo Barb com minhas palavras. Foi uma das muitas vezes em que o Dr. Rosberg, conselheiro matrimonial, teve de provar o próprio remédio, fechando o ciclo e curando a ferida que havia causado.

Quando você ofende seu cônjuge ou seu cônjuge magoa você, isso dói. A dor não é tanto física quanto emocional e relacional, embora feridas internas que não são curadas possam afetar como você se sente fisicamente. Barb lhe mostrará, com mais detalhes, a dinâmica da mágoa no ciclo aberto do conflito conjugal e onde ele pode levar você.

Ofensas não resolvidas causam mágoa

Quando Gary “zumbiu” para mim naquela noite com uma observação desrespeitosa, aquilo doeu. Mas eu não queria que ele visse quanta dor eu senti. Então, tentei ignorar. Quando Gary não interveio e não fechou imediatamente o ciclo aberto, senti-me pior ainda. Por dentro, doía o coração. Não consegui dormir naquela noite. Fugindo para o quarto de hóspedes, chorei pela dor interior que sentia.

Bem, no caso de isso parecer unilateral, deixe-me garantir a você que sou também culpada por ofender e ferir meu marido de tempos em tempos. Temos um casamento bom que está ficando melhor a cada dia. No entanto, ainda ferimos um ao outro, assim como vocês fazem. Nosso casamento continua a se fortalecer porque, quando as ofensas e mágoas aparecem, empenhamo-nos em fechar o ciclo o mais rápido possível. É uma das maneiras pelas quais protegemos o relacionamento.

livrinho-Meu-amor-eu-te-perdooSe uma ofensa entre você e seu marido for resolvida imediatamente, a mágoa será fugaz e sem consequências duradouras. Por exemplo, mulheres, digamos que, em uma viagem juntos, você critique o modo de seu marido dirigir. De repente, você sente um momento de silêncio um tanto frio entre vocês. Percebendo a ofensa, você diz com sinceridade: “Desculpe-me, amor. Aquilo não foi gentil nem justo da minha parte. Eu não quis magoá-lo. Você me perdoa?”. Seu marido acolhe o pedido de desculpas e a perdoa – e a mágoa fica praticamente anulada, pelo encerramento rápido do ciclo.

Infelizmente, entretanto, a maioria das ofensas conjugais não é lidada de modo tão eficiente. Algumas vezes, você não percebe que o que disse ou fez ofendeu seu cônjuge. Então, não está ciente da mágoa que causou. Com ainda mais frequência, como no caso do Gary mostrado anteriormente, você sabe que o que fez feriu a outra pessoa, mas está com o coração muito endurecido ou constrangido para confessar francamente a ofensa. Então, você a deixa passar, dando tempo ao outro de remoer o que aconteceu, enquanto a dor se intensifica. É como se a ofensa abrisse uma ferida na carne, e sua relutância em tratá-la prontamente permitisse que a infecção se instalasse.

Outra razão pela qual às vezes a dor emocional é menos prezada é o fato de que, quando você se ofende, pode não reconhecer a mágoa de imediato. Sejamos francos: não existe sangue, membros quebrados ou deslocados e nenhuma dor física perceptível. Algo que seu esposo disse ou fez a deixou meio para baixo. Analisando superficialmente, pode não parecer grande coisa. “Por que estou desse jeito tão estranho?”, você se pergunta. “Talvez, seja o começo de um resfriado”. Não dói como as outras dores que conhecemos, então, deixamos de classificá-la como dor.

É provável até que você detecte a ferida interior imediatamente, mas tente escondê-la, assim como fiz na noite em que Gary me criticou. Você não quer que o outro saiba que o magoou. Não quer ser visto como vulnerável. Então, você endurece e age como se nada tivesse acontecido. Nesse meio-tempo, a ferida interior só piora.

Estando ciente ou não, quando você e sua esposa abrem um ciclo maltratando um ao outro de alguma forma, isso dispara a mágoa, a emoção primária em um conflito. E, se você demorar a fechar o ciclo, essa ferida interna pode virar raiva.

Trecho do livro Meu amor, eu te perdoo! 

Dr. Gary e Barbara Rosberg


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