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Buscando a Deus profundamente

sexta-feira, 13 de setembro de 2019 | 60 acessos | Deixe seu comentário!

Tenha certeza do que você realmente quer. Isso faz com que você deixe de perseguir borboletas e comece a cavar em busca de ouro.

Willian Marston

Há uma exposição de um sítio arqueológico de dinossauros no parque de diversões Legoland, em Calrsbad, Califórnia. Sempre que visitamos esse parque, nossas filhas vão direto para a área de “escavação”. Ali, elas podem procurar ossos de cimento enterrados em uma caixa de areia gigante. É bem barato alugar ferramentas, como pás, pincéis etc., para escavar.

No começo, nem bem sabemos o que estamos escavando, mas, em pouco tempo, conseguimos distinguir os achados. Às vezes, é um T-rex; outras vezes, um pterodátilo. Porém, o que encontramos na verdade é o que menos importa. O legal é descobrirmos isso juntos, e nos divertimos muito mais procurando do que descobrindo o que escavamos.

Agora, imagine se, em vez de deixar minhas filhas escavarem junto comigo para procurar os ossos, eu as levasse para a exibição e lhes mostrasse o que já tinha encontrado naquele dia? Com certeza, ficariam interessadas. Afinal de contas, são ossos de dinossauros. Mas será que o interesse, a alegria e o entendimento delas seriam os mesmos se tivessem participado da escavação comigo? Elas saberiam distinguir as peças usadas na escavação? Elas saberiam que poderiam até entrar na caixa de areia gigante?

Buscar a Deus envolve um sistema que os arqueólogos usam. É um processo em quatro etapas – pesquisa, escavação, coleta de dados e análise –, que os ajudam a entender o passado e encontrar pistas do nosso futuro.

Neste capítulo, quero ajudá-lo a levar seus filhos a cavarem sozinhos. Esta é sua chance de ser o “Indiana Jones”. Só que, dessa vez, em vez de procurar o “cálice sagrado”, o tesouro que desejamos encontrar é o próprio Deus.

Eles não poderão cavar se você segurar a pá o tempo todo

Um dos maiores desafios que os filhos encontram quando procuram fazer a vontade de Deus são os próprios pais. Digo isso porque nunca vi muitos pais encorajarem, de fato, suas crianças a descobrirem o que o Senhor quer dizer a elas. Isso é o mesmo que mandá-las cavar, mas nunca lhes dar uma pá.

As crianças precisam aprender a buscar o Altíssimo por si mesmas. Geralmente, os pais lhes dizem a verdade, mas não permitem que elas a busquem sozinhas. A diferença aqui é crucial. Entendo por que nós, pais, fazemos tal coisa. Isso vem do nosso desejo de ensinar aos nossos filhos a forma correta de viver. O problema é que, mais uma vez, nós os preparamos para depender da nossa fé.

Você faz muitas coisas com dez dólares no México

Quando Lily tinha quatro anos, Karie e eu decidimos que já era a hora de a levarmos para ajudar a construir uma casa no México. Isso é uma experiência que muda a vida de todos os que participam dela. Em um período de dez horas, uma família que não tem onde morar se muda para uma casa de três quartos e um sótão.

Creio que a melhor maneira de seus filhos aprenderem a ter gratidão e compaixão pelos menos favorecidos é deixá-los vivenciar isso. Algumas horas em uma área pobre farão seus filhos aprenderem muito mais do que, simplesmente, dizer a eles que há crianças morrendo de fome.

Certa noite antes de viajarmos, Lily me pediu que a ajudasse a contar o dinheiro do seu cofrinho. Ela conseguiu juntar dez dólares. Naquela época, Lily não sabia muito sobre dinheiro, então o valor para ela não fazia muita diferença. Perguntei-lhe o que queria fazer com os dez dólares, mas ela não sabia com certeza.

O que fiz depois é algo que encorajo você a fazer. Perguntei o que ela achava que Deus gostaria que fosse feito com o dinheiro. Ela disse que não tinha a menor ideia e perguntou o que eu achava. Disse a ela, então, que também não tinha ideia, que o dinheiro era dela e ela decidiria o que fazer com ele. Contudo, também lhe disse que o Senhor tinha um propósito específico para aqueles dez dólares, assim como Ele tem um objetivo para todos os recursos que provê como bênção em nossa vida.

Eu a encorajei a ir para o quarto, sentar-se na cadeira de balanço por três minutos e ouvir o que Deus diria ao seu coração. Falei-lhe que o Senhor sempre traz algo à nossa mente por intermédio do Espírito Santo quando nos propusemos a parar para ouvi-Lo.

Curiosamente, Lily foi para o quarto, e eu não tinha ideia do que aconteceria. Quando voltou, disse-me que pareceu ter ouvido Deus dizer-lhe que enviasse o dinheiro para alguém no México no dia seguinte. Como pai, fiquei muito feliz com a decisão, embora soubesse que o dinheiro não tinha muito valor para ela. Então, decidi apostar um pouco mais.

“Está bem, Lily. Parece que foi o Senhor mesmo, mas você sabia que, com estes dez dólares, não dá nem para comprar um webkinz [bichinho de pelúcia virtual]?”. Isso aconteceu justamente quando houve uma febre de webkinz nos EUA. Acho que Lily trocaria sua irmã por um desses bichinhos.

Olhei para Lily e vi uma expressão em seu rosto que dizia: “Oh, não. O que eu fiz? Isso não pode estar acontecendo”. Então, ela me falou que, talvez, Deus não tivesse dito a ela que desse o dinheiro. Eu disse que ela estava certa, e é sempre bom analisarmos tudo o que pensamos ter ouvido do Altíssimo. Examinai tudo. Retende o bem (1 Ts 5.21 – ARC).

Sugeri que ela procurasse ouvir o Senhor de novo e falei que apoiaria tudo o que Ele lhe dissesse. Lily, então, voltou para o quarto com o rosto tristinho e, dessa vez, ficou lá por mais tempo. Quando a porta se abriu, ela veio e me deu a nota de dez dólares. “Eu quero dar este dinheiro, papai. Acho que Deus quer que eu o dê mesmo”.

Fiquei muito feliz com a atitude dela nada egoísta, mas não quis me entusiasmar muito, porque ela poderia começar a pensar que teria respostas do agir de Deus em sua vida por meu intermédio.

Então, falei: “Bem, Lily, você deve estar certa. Parece mesmo que o Senhor a orientou nisso, mas por que você está dando o dinheiro para mim?”. A resposta dela foi que ela gostaria que eu desse o dinheiro a alguém por ela. Em seguida, disse: “Mas o dinheiro não é meu. Você tem de perguntar a Deus para quem Ele quer que seja dado”.

“Como vou saber disso, papai?”, ela me perguntou. Como fiz antes, garanti a ela que Deus lhe mostraria. Ela só tinha de ouvir seu coração e o Senhor. Creio piamente ser fácil saber a vontade divina, principalmente quando a buscamos. Em minha opinião, se Ele quer que você faça algo, deixará isso bem claro. Afinal, Ele é Deus!

Com uma nota velha de dez dólares e um propósito, Lily e eu, com um copo de café, pegamos a estrada às quatro e meia da manhã no dia seguinte. Às seis, cruzamos a fronteira. Às sete, já ouvíamos o barulho dos martelos no bairro, onde só havia barracos e esgoto a céu aberto.

Lily foi uma guerreira naquele dia. Ficou pintando direto durante duas horas no sol, ajudou-me com a pistola de pregos e a instalar janelas. A cada meia hora, ela me perguntava sobre uma pessoa que tinha visto. “Você acha que é para ela que devo dar o dinheiro?”. Então, toda vez que tocávamos no assunto, eu dizia que a decisão era dela.

Às cinco da tarde, começamos a arrumar tudo para ir embora, mas Lily ainda não tinha sentido a direção de Deus para quem ela deveria entregar a quantia. Na hora, comecei a orar. Embora eu soubesse que o Senhor jamais nos decepciona, fiquei preocupado com o fato de aquilo acabar como uma lição sobre quando Deus não fala conosco. Não era aquilo que eu estava esperando.

Aguardamos uma hora na fila da fronteira para voltarmos aos Estados Unidos. Faltavam três carros para cruzarmos o país quando Lily me perguntou de novo sobre o dinheiro. Eu reafirmei que Deus tinha um propósito para ele. Porém, tenho de confessar que comecei a pensar se aquilo era mesmo verdade.

Naquele momento, apareceu uma mulher maltrapilha com um bebê no colo, como se tivesse saído do nada, e bateu na janela de Lily. Se você já fez o treinamento para cruzar a fronteira, então sabe que isso é muito raro; não porque não haja pessoas pedindo ajuda, mas porque a mulher resolveu bater na janela de uma menina de cinco anos, e não na de um adulto. Todos nós sabemos que crianças não costumam ter muito dinheiro.

Lily abaixou a janela, e as duas se olharam por um tempo, que parecia uma eternidade. A mulher só disse uma frase: “Por favor”. Pelo retrovisor, pude ver Lily segurando a nota. Ela tinha ficado com aquela nota na mão por uma hora, enquanto estávamos na fila, esperando que Deus lhe falasse. Então, esticou a mão, entregou o dinheiro e deu adeus ao bichinho de pelúcia que podia comprar com ele. Quando partimos, a mulher gritou: “Valle con Dios”, ou seja, “Vão com Deus”. Garanto a você que fomos mesmo.

Não conto essa história para exaltar a bondade da minha filha, mas, sim, para desafiá-lo a começar a crer na capacidade que seus filhos possuem de buscar a Deus e ouvir a voz dEle. O que eu estou dizendo é: “Saia do caminho!”. Não permita que seu desejo de preparar seus filhos para andarem no caminho de Deus o impeça de lhes ensinar a encontrarem o Senhor sozinhos.

 

Livro: Dê as chaves aos seus filhos

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