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Ló e sua esposa

sexta-feira, 30 de novembro de 2018 | 38 acessos | Deixe seu comentário!

A Bíblia se refere a Ló como um homem justo, o que demonstra que ele tinha um bom coração. Ló teve o grande privilégio de ser sobrinho de Abraão, o amigo de Deus, um dos seis maiores homens do Antigo Testamento. Enquanto outros parentes preferiram permanecer na Mesopotâmia, Ló tomou a decisão de ir junto com Abraão.

Ló, entretanto, tinha uma fraqueza – uma grande ambição por coisas materiais. Além disso, infelizmente, casou-se com uma mulher mundana. De acordo com as palavras de Cristo, ela deveria ser lembrada por isso. Abraão prosperou e, por isso, Ló também prosperou. Essa prosperidade, contudo, levou-o a separar-se de Abraão.

Ló é o clássico exemplo das tristes consequências que acompanham aqueles que retrocedem em seus padrões morais. Seu primeiro passo foi escolher as campinas bem irrigadas do Jordão, onde ficava Sodoma. Seu segundo passo foi armar suas tendas até Sodoma. Seu terceiro passo foi passar a morar em Sodoma.

Capturado pelo invasor Quedorlaomer, Ló foi salvo pela intervenção oportuna de Abraão. Naquele momento, talvez Ló tenha tomado algumas resoluções; mas, se isso aconteceu, depois hesitou e voltou para Sodoma. Assim, a hora da decisão – na qual Ló poderia ter salvado sua casa e sua família – passou e não voltaria mais.

Chegou o momento do juízo, e Ló ainda estava em Sodoma. Alertado sobre a iminente destruição da cidade, tentou freneticamente salvar sua família. Entretanto, já era tarde demais! Seus genros, considerando-o um velho fanático religioso, mandaram-no voltar para casa e ir dormir.

Diante da insistência dos anjos, Ló, sua esposa e duas filhas fugiram da cidade. Sua esposa, porém, olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal. Por tudo isso, Ló e sua esposa tornaram-se uma grande lição objetiva de como uma escolha errada pode levar alguém a um trágico final.

O HOMEM CUJA ESPOSA DEVERIA SER LEMBRADA

E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e  a  Ló, filho de  seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.

Gênesis 12.5

Subiu, pois, Abrão do Egito para a banda do Sul, ele, e sua mulher, e tudo o que tinha, e com ele Ló.

Gênesis 13.1

Ló era filho de Harã, irmão de Abraão. Seu pai morreu em Ur dos caldeus, antes de Abraão e seu grupo iniciarem a viagem para Canaã. Quando Abraão recebeu o chamado especial do Senhor para ir a um país que nunca tinha visto antes, Ló resolveu ir junto. O patriarca parecia ter um interesse paternal no jovem. Às vezes, os parentes brigam entre si, mas no caso de Abraão e Ló parecia que tio e sobrinho tinham uma afinidade mútua.

De qualquer maneira, conforme o tempo demonstraria, os dois homens eram feitos de materiais completamente diferentes. Ló parecia ser aquele tipo de pessoa que assume posições diante de Deus só porque outros estão fazendo isso, e não porque tenha profundas convicções individuais. Ainda assim, ele era um crente verdadeiro. Apesar de todos os seus erros e fracassos, o Espírito Santo refere-se a ele no Novo Testamento como o justo Ló. Embora fosse salvo, sua vida mostra que deveria ser incluído entre aqueles que são salvos pelo fogo (1 Co 3.15).

Fome na Terra

Quando Abraão e Ló chegaram a Canaã, descobriram que o local estava assolado pela fome. Ficamos com a impressão de que o Senhor poderia ter escolhido uma ocasião melhor para a viagem. Não devemos esquecer, contudo, que Abraão e seu pai não partiram da Mesopotâmia quando o chamado foi feito pela primeira vez (Gn 11.31). Eles saíram para Canaã, mas pararam em Harã, e, por uma ou outra razão, não continuaram o caminho até que Tera morreu, provavelmente depois de vários anos. Após sua morte, Abraão e Ló prosseguiram na viagem para o Oeste. Foi por isso que, quando chegaram a Canaã, encontraram uma situação de fome, para a qual não estavam preparados. A desobediência ao chamado de Deus traz essas consequências.

Abraão e Ló descem ao Egito

Devido à fome que os assolava, foi sugerido que descessem para o Egito até a situação melhorar. O grande rio Nilo irrigava o Egito, de modo que este não era afetado pela seca prolongada, como os outros países. Na verdade, naquela época, o Egito tornara-se a nação mais rica e mais poderosa sobre a face da Terra. Haveria grandes possibilidades comerciais para homens que estivessem em busca de bens terrenos e cujas consciências não fossem sensíveis demais.

Não sabemos quem fez a sugestão para irem ao Egito, mas desconfiamos que tenha sido Ló. Essa decisão, que é típica de quem apela para os recursos do mundo, estava de acordo com o caráter e os pontos de vista dele. Ele era inclinado a “armar suas tendas” onde estivessem as maiores perspectivas de oportunidades materiais, sem se preocupar com os prejuízos espirituais ou os efeitos que os padrões morais do lugar pudessem ter sobre sua própria família.

É muito interessante notar que, nas mais recentes descobertas dos manuscritos do mar Morto, há referências a Ló, não só acompanhando Abraão ao Egito, mas também funcionando como interlocutor diante dos agentes do Faraó.

Não sabemos se Abraão concordou imediatamente com o plano. De qualquer maneira, ele seguiu viagem em direção ao Sul (Gn 12.9). A parte sul do Neguebe, contudo, tem o menor índice de chuvas de toda a região. É provável que, quando chegaram àquela parte do caminho, tenham sido obrigados a seguir adiante e cobrir o resto da jornada até o Egito.

Nosso objetivo é seguir o caminho da fortuna de Ló.

Será suficiente dizer que Abraão, temendo que os egípcios ficassem fascinados com a beleza de Sara a ponto de matá-lo por causa dela, apelou para o subterfúgio de dizer que ela era apenas sua irmã. Esse estratagema causou sérios problemas ao patriarca, que quase ficou sem a esposa. Deus, contudo, estava com Abraão, apesar de ele ser responsável por toda aquela situação. A casa do Faraó foi atacada por uma praga, e uma investigação mostrou que ele tinha sido enganado por Abraão. Faraó devolveu-lhe a esposa Sara e deu ordens estritas para que todo o grupo saísse do país imediatamente.

Ainda assim, do ponto de vista de Ló, a viagem tinha sido muito lucrativa. Planejando casar-se com Sara, Faraó tinha dado instruções aos seus servos para que fossem generosos com os visitantes de Canaã (Gn 12.16). Como resultado dos negócios que realizou no Egito, sabemos que Abraão enriqueceu muito em gado, prata e ouro (Gn 13.2). De acordo com o versículo sexto, Ló também compartilhou de toda essa prosperidade.

A separação de Abraão e Ló

E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos, porque a sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos.

Gênesis 13.6

Com o aumento da riqueza, aconteceu algo inevitável. Começaram a surgir desavenças entre os pastores de Ló e os de Abraão. Sem dúvida, Abraão estava disposto a fazer concessões para manter a paz, mas a situação tornou-se insustentável.

A ambição de Ló para adquirir cada vez mais riquezas mostrou que isso seria sua ruína. Além disso, há dúvidas se a generosidade de Abraão era plenamente reconhecida; as pessoas afetadas pelo espírito da ganância, geralmente, pensam que elas é que são generosas! Quando isso acontece, a possibilidade de harmonia desaparece. Os servos de Abraão percebiam que estavam sempre levando desvantagem e naturalmente se ressentiam. Havia incriminação e recriminação mútua. A tensão aumentou, até Abraão perceber que alguma coisa tinha de ser feita.

Na verdade, aquela separação foi providencial. Era agradável para Abraão ter um parente por perto, mas não às custas de tanto atrito. Sem dúvida, o patriarca já tinha percebido que havia uma diferença fundamental na perspectiva espiritual de Ló e na sua própria. Ló cria em Deus, mas o seu interesse estava muito mais nos bens materiais, e esse ponto de vista – infelizmente para ele – era fortemente compartilhado por sua esposa.

Tendo percebido que tinha chegado o momento de se separarem, Abraão decidiu entrar em entendimento com Ló.

E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda.

Gênesis 13.8,9

A decisão de Ló: seu primeiro passo em direção à queda

Abraão, tendo colocado a proposta da separação diante de Ló, julgou que seria possível que o sobrinho aceitasse. Sem dúvida, já havia percebido que existia diferença na perspectiva de cada um acerca de uma série de questões. Ló acreditava em manter negócios e religião separados e, por isso, provavelmente, considerava seus empregados melhores do que os empregados de Abraão, o qual sempre deixava a religião interferir nos negócios.

Abraão deu a Ló a oportunidade de escolher primeiro a terra que estava diante deles. Do ponto onde estavam, nas colinas próximas de Betel, tinham uma visão privilegiada da região, incluindo as campinas bem irrigadas do Jordão, no vale abaixo deles. Naqueles dias, antes do juízo que veio sobre Sodoma e Gomorra, o vale, com sua vegetação luxuriante, era semelhante ao jardim do Éden. É provável que Ló e a esposa já tivessem considerado a possibilidade de se estabelecerem naquele lugar antes, mas Abraão, aparentemente, nunca pensou nessa hipótese. A reputação do povo que vivia naquelas campinas era de tal natureza que chocava o patriarca.

A partir do momento em que Ló estivesse por sua própria conta, a perspectiva de estabelecer-se em uma área rica tornou-se tentadora. O sobrinho se lembrou da prosperidade que experimentaram quando estiveram na região do rio Nilo. Faraó proibiu seu retorno para o Egito; no entanto, por que ele e sua família não desciam até a opulenta campina do Jordão para estabelecer sua residência?

 Ló e sua esposa

Assim, Ló e sua esposa iniciaram a jornada em direção ao rio Jordão, o primeiro passo trágico em direção a fazer de Sodoma seu lar. Nem ocorreu a Ló perguntar ao Senhor qual era a Sua vontade sobre a questão, ou qual seria o efeito que a imoralidade do povo, que lá vivia, causaria em sua família. Sua decisão foi tomada exclusivamente em termos de benefícios materiais. Foi uma decisão que teria feito Ló fugir horrorizado, se ele pudesse ter visto o resultado adiante.

Ló cria em Deus, mas Mamom, o deus da riqueza, vinha primeiro. Ele tinha de tomar uma decisão que todo crente precisa tomar: se ele colocaria Deus ou as riquezas em primeiro lugar. O diabo ofereceu a Cristo os reinos do mundo e a glória deles, se Ele apenas Se inclinasse e o adorasse. O tentador sempre insinua aos jovens que eles têm a responsabilidade de buscar o melhor para si mesmos. Ele pede apenas que se ajoelhem diante do deus das riquezas, e terão tudo o que desejarem. Assim, multidões se inclinam diante dele na vã expectativa de obter sucesso e prosperidade, descobrindo depois que o diabo faz promessas, mas não as cumpre.

Ló é culpado por sua decisão, porém, na verdade, ele não fez coisa alguma além do que centenas de cristãos professos fazem todos os dias. Tomam decisões tendo como base aquilo que consideram que promoverá melhor sua prosperidade material. Seu bem-estar espiritual está em segundo plano, quando, pelo menos, é considerado.

Assim que a decisão foi tomada, os caminhos de Abraão e Ló começaram a distanciar-se. Eles se encontraram apenas mais uma vez, anos mais tarde, em circunstâncias totalmente adversas.

O segundo passo na queda de Ló: ele instalou suas tendas nas proximidades de Sodoma.

O terceiro passo na queda de Ló: foi morar em Sodoma.

Quarto passo na queda de Ló: estava sentado à porta da cidade.

A prosperidade de Sodoma

Em Ezequiel 16.49,50, seis pecados de Sodoma são destacados:

  • Orgulho (soberba)
  • Fartura de pão
  • Abundância de ociosidade teve Sodoma e suas “filhas”
  • Nunca estenderam a mão ao pobre e ao necessitado
  • Arrogância
  • Cometeram abominação diante de Deus

Sodoma estava localizada no extremo sul do mar Morto.

Suas praias, até uma boa distância terra adentro, são pálidas e totalmente estéreis. Ao que parece, com a destruição de Sodoma, uma maldição foi lançada sobre aquela terra. Ainda hoje, na sua maior parte, ela é estéril, embora fosse comparada ao jardim do Senhor nos dias de Sodoma.

No ano de 1924, uma expedição mista da Escola Americana e da Sociedade Xenia fez explorações na área circunvizinha à parte sul do mar Morto. Eles encontraram, em um lugar a alguma distância da praia, um local fortificado que continha um grande número de cacos de vasos de barro e pedras do período de Abraão. Os arqueólogos descobriram evidências de que aquela civilização terminou abruptamente, confirmando o relato bíblico da destruição repentina e total que caiu sobre as cidades de Sodoma e Gomorra.

Não existem evidências claras de que fogo e enxofre caíram sobre as cidades da planície, como diz o registro bíblico. Os exploradores daquela região concordam que algum cataclismo muito grande ocorreu naquelas vizinhanças, o qual causou uma notável desolação. As encostas do monte Usdom (Sodoma) indicam que o mar Morto fica mais fundo abruptamente.

Erupções de enxofre são abundantes naquela área. Sob o monte Usdom, há uma camada de sal de 45 metros. Acima dela, há uma camada de marga, misturada com enxofre puro. Parece ser uma região queimada por óleo e asfalto. Alguns arqueólogos acreditam que se formaram grandes quantidades de gases sob grande pressão naquelas câmaras subterrâneas. No momento apropriado, Deus acendeu os gases. Uma grande explosão ocorreu, a qual jogou milhares de toneladas de sal incandescente e enxofre para cima, de modo que literalmente choveu fogo e enxofre do céu. Apesar de não desejarmos afirmar com certeza como foi que a destruição aconteceu, visto que Deus, frequentemente, utiliza meios naturais em Seus milagres, esse bem poderia ter sido o método usado.

A esposa de Ló

Jesus disse: Lembrai-vos da mulher de Ló (Lc 17.32). Há uma lição solene e objetiva na história da esposa de Ló. Aquela mulher pertencia a uma excelente família. Ela fazia parte do grupo que veio de Ur dos caldeus, que criaria um novo capítulo na história da humanidade. A esposa de Ló, provavelmente, era parente de Abraão. Ela conhecia o Deus de Abraão e se ajoelhava junto com os outros durante as orações. Chegou, contudo, o tempo em que ela e seu marido fizeram uma escolha mundana. Devido às oportunidades comerciais que Sodoma oferecia, esta foi escolhida para ser a residência deles, a despeito de todos os avisos que receberam.

Parece que a Sra. Ló, que tinha conhecido a verdadeira fé no Senhor, revoltou-se contra a ofensiva imoralidade da cidade. Aparentemente, ela começou a acostumar-se com ela. Há um verso que diz: O mal é um monstro de aparência tão terrível, que, para ser odiado, basta ser visto. Mas, quando muito vista, a aparência do mal primeiro é odiada, depois é tolerada e finalmente é abraçada.

A coisa mais surpreendente é que, em vez de detestar a poluição moral de Sodoma, a esposa de Ló, na verdade, acostumou-se a ela. Aquela mulher entrou no esquema de vida da cidade. Suas filhas se comprometeram com pessoas de lá. Apesar de não se envolver diretamente nem participar nas maldades, ela também não se preocupava com isso.

Mesmo assim, quando os anjos se dirigiram à sua casa e avisaram que a destruição estava às portas, ela acreditou neles. Que efeitos aquelas notícias tiveram sobre ela! Não a vemos correndo com seu marido para a casa dos genros para ajudá-lo a convencê-los. Não, ela fica paralisada com o choque. Conhecemos mulheres que são totalmente negligentes em sua vida espiritual. O pregador pode falar com tanto ardor, a ponto de o seu coração sair pela boca, mas elas continuam mornas como sempre. Parece que coisa alguma as atinge. Não se preocupam se os filhos estão vivendo na impiedade; contudo, se uma tragédia as atinge, entram totalmente em pânico. Foi isso que aconteceu com a esposa de Ló.

Quando o marido retornou e deu-lhe a triste notícia de que os genros não o ouviram, podemos imaginar seu choro desesperado. Se tivesse se movido apenas um décimo, quando ainda havia tempo! Naquele momento, porém, era tarde demais. Seu choro angustiado nada resolveria.

Com o amanhecer despontando no Oriente, os anjos foram misericordiosos e tomaram-na pela mão, conduzindo-a, junto com seu marido e as duas filhas, para fora da cidade.

Os artistas costumam pintar quadros dessa mulher com o olhar voltado para trás, em direção a Sodoma, pensando apenas nos bens materiais. De fato, a Sra. Ló pode ser acusada justamente de amar as riquezas e ter falta de discernimento espiritual.

Mesmo quando estava para escapar da cidade, o coração da mulher de Ló devia estar lá, com os amigos, vizinhos e com o que deixara para trás. Cada passo que dava, a levava para mais longe deles, até que não pôde mais resistir.

Enquanto Ló e sua família corriam em direção à cidade de Zoar, sua esposa começou a ficar para trás. Os anjos já tinham partido, deixando uma séria advertência para não olharem para trás. De repente, em um desespero histérico, podemos imaginar a Sra. Ló gritando por causa de seus pertences. Quando o céu escureceu com a fumaça e o enxofre, ela repentinamente olhou para trás, como a mulher que, após deixar sua casa incendiada, volta correndo para salvar o filho apanhado pelas chamas, somente para morrer no fogo.

Existem grandes depósitos de sal e enxofre no monte Usdom. Na explosão, um pouco de sal foi carregado junto com o enxofre quente. Quando essa mistura caiu sobre a indefesa mulher, ela ficou coberta de sal quente. Ainda hoje, podemos encontrar montes de sal, espalhados por toda a planície próxima do Monte Usdom. Clovis G. Chappell, nos seus sermões sobre os personagens do Novo Testamento, conta a história de duas pessoas que pereceram na destruição de Pompeia:

Havia duas figuras, encontradas em Pompeia, quando foi desenterrada há alguns anos. Uma delas era uma sentinela. O soldado romano estava ereto em seu posto no portão da cidade. Sua lança estava em sua mão carbonizada, sua espada estava ao seu lado. Seu elmo estava em sua cabeça. Ali, as cinzas o embalsamaram e o conservaram por longos anos. O desastre que caiu sobre a cidade de Pompeia não colocou aquele soldado romano em seu posto nem o manteve ali fielmente. O desastre apenas o preservou para nós.

E havia outro corpo encontrado. Era o corpo de uma mulher. Seus pés estavam virados em direção ao portão da cidade. Evidentemente, estava fugindo o mais rápido que podia do pesado castigo que vinha sobre a cidade. Embora seus pés estivessem virados na direção do portão, seu corpo, contudo, estava virado em direção à cidade. Suas mãos estavam estendidas no chão. E um pouco distante delas, havia um saco cheio de pérolas. Possivelmente, ela o derrubou enquanto corria, ou, talvez, fora derrubado por outra pessoa e ela o viu quando passava. De qualquer maneira, ela não pôde resistir e voltou-se para apanhá-lo, no momento em que a lava chegou e a consumiu. Esse desastre, contudo, não a colocou naquela atitude de extrema ganância. Ele apenas a conservou daquela maneira, para que as gerações futuras pudessem ver. Assim a morte fez com a esposa de Ló. A morte não virou o rosto dela para trás, em direção ao mundo. A morte apenas preservou aquele rosto para nós vermos.

Que destino para uma mulher! Ser destacada por Jesus dentre todas as outras mulheres da história, como uma advertência para todas as gerações. O Senhor comparou o tempo de Sua vinda com aquele dia em que Sodoma foi destruída. Ele disse: O que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló (Lc 17.31,32). A frase: A mulher de Ló olhou para trás significa mais do que alguém simplesmente virando a cabeça. A estrada que saía de Sodoma, como tantas outras estradas, tinha muitos desvios; primeiro, em uma direção, e depois, em outra. Quando o anjo soltou sua mão, a esposa de Ló voltou para sua cidade para morrer. Sua conduta a transformara em uma filha de Sodoma, por isso ela voltou para perecer junto com todos.

Os últimos dias de Ló

Os últimos dias de Ló foram extremamente tristes. Nós o vemos implorando aos anjos – os quais lhe haviam falado para fugir para as montanhas – que lhe permitissem refugiar-se em Zoar. Os anjos lhe deram permissão. Por alguma razão desconhecida, entretanto, ele não se dirigiu a Zoar, mas acabou indo para as montanhas.

Que terrores inesperados ele encontrou em Zoar, que o impressionaram tanto, a ponto de preferir não se esconder naquele local? Zoar também deveria receber juízo e só foi poupada por causa de Ló. Teria Ló, ao chegar à cidade, visto tanta maldade que temeu por suas filhas?

Alguém pode se perguntar por que Ló não procurou Abraão, o qual certamente o teria recebido com alegria. Seria por que estava envergonhado demais para encarar o tio? Temos observado que existe pouca dúvida de que Abraão, quando se encontrou com Ló pela última vez, fez-lhe uma solene advertência com relação a Sodoma. Ló rejeitou seu sábio conselho. Depois que as terríveis sequelas deixadas por sua teimosia tinham sido reveladas, ele estava muito abatido para encará-lo.

Ao que parece, o triste homem entregou-se ao vinho para tentar esquecer seus problemas. Aqueles que defendem a prática da bebida fariam bem em estudar seus resultados e ver como a bebida afetou a vida de Noé e Ló. Em ambos os casos, o hábito não somente trouxe vergonha sobre eles, como teve sérias consequências sobre seus descendentes.

 

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