Jeremias_banner

O chamado de Jeremias

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019 | 334 acessos | Deixe seu comentário!

Jeremias foi o profeta que presenciou a agonia mortal de uma nação que fora escolhida por Deus. Seu livro é a fonte disponível mais confiável e detalhada sobre o período da História no qual ele viveu. Jeremias tinha a personalidade de um homem divinamente inspirado, mas que apresentava as mesmas paixões dos outros homens.

Jeremias nasceu e cresceu na pequena Anatote (Anota), localizada a alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. Anatote era uma cidade insignificante. Foi para lá que o sacerdote Abiatar foi banido após ser demitido do seu cargo pelo rei Salomão. Embora haja poucas informações sobre o início de sua vida, os escritos de Jeremias indicam que ele foi discípulo dos profetas.

Como Jeremias começou seu ministério profético no 13º ano do reinado de Josias, fica evidente que o profeta nasceu na parte final do governo de Manassés. Embora Ezequias e Josias tivessem realizado uma notável reforma em Judá, parece que ela foi superficial. De acordo com o quadro pintado pelo profeta, a licenciosidade, a desonestidade, o crime, o adultério e o falso juramento estavam por toda parte.

Jeremias entrou em cena em uma época em que um perigo terrível pairava no ar. Invadindo a Ásia ocidental como uma nuvem de gafanhotos, guerreiros bárbaros destruíam tudo o que encontravam no caminho. Não eram hábeis na arte da guerra, mas venceram e conquistaram países pela simples superioridade numérica.

Eles enfraqueceram o Império Assírio e, assim, prepararam-no para a queda. A partir do colapso dos assírios, elevou-se o poderoso Império Babilônico, que destruiria o reino de Judá. Foi antecipando esse trágico evento que Jeremias pronunciou muitas de suas profecias, a maioria cumpriu-se ainda em seus dias.

O fato de que os profetas são chamados e separados por Deus antes mesmo do nascimento é visto nas palavras de Jeremias 1.4,5:

Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta.

A primeira reação de Jeremias ao seu chamado para o ofício profético foi afirmar que a tarefa estava além de sua capacidade. Ele disse: Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança (v. 6). Deus, porém, disse-lhe que deveria falar sem medo o que Ele lhe diria.

Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR.

Jeremias 1.7,8

Depois de tocar sua boca, o Senhor disse a Jeremias que ele seria um profeta para as nações.

Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares.

Jeremias 1.10

Como no caso dos apóstolos, Jeremias não foi escolhido dentre os poderosos, nem dentre os nobres, mas, sim, dentre a família de um sacerdote que não se destacava e vivia em uma vila sombria e sem importância. Deus escolheu um homem tímido e retraído, consciente de sua falta de habilidade, que ansiava pela simpatia e pelo amor das outras pessoas que jamais conheceria.

Jeremias foi chamado quando era criança. É notável a frequência com que Deus chama os jovens, enquanto ainda possuem ideais elevados, seus princípios não foram deturpados pelas pressões da acomodação e da complacência nem foram corroídos pela lenta influência do mundo.

O profeta viu que tinha uma tarefa difícil diante de si. Ele teria de elevar sua voz contra toda uma sociedade corrupta. Um ato que atrairia contra ele a maledicência e a raiva de pessoas que não desejavam mudar seus caminhos.

Jeremias começou seu ministério profético com a visão da panela fervente. Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte (Jr 1.13b). Uma referência à guerra feroz que estava sendo travada naquela direção, a qual resultaria na supremacia da Babilônia.

Quando o domínio babilônio fosse estabelecido, ele se moveria para o oeste e para o sul, na direção de Judá. Era uma visão de iminente calamidade, e a ameaça foi o tema das profecias de Jeremias nos anos seguintes. Esse terrível juízo recairia sobre Judá, porque o povo se esquecera de Deus. Esse fato é retratado, de forma poética, em Jeremias 2.12,13:

Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o SENHOR. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.

Jeremias tinha a tarefa desagradável de informar ao povo sobre a catástrofe que logo irromperia contra eles. Uma mensagem que não o tornaria popular. A população seria levada cativa, e aquela terra se tornaria praticamente deserta.

Arvorai a bandeira para Sião, fugi para salvação vossa, não pareis; porque eu trago um mal do Norte, uma grande destruição. Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor das nações; ele já partiu e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas. Observei a terra, e eis que estava assolada e vazia; e os céus, e não tinham a sua luz. Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam. Observei e vi que homem nenhum havia e que todas as aves do céu tinham fugido. Vi também que a terra fértil era um deserto e que todas as suas cidades estavam derribadas diante do SENHOR, diante do furor da sua ira.

Jeremias 4.6,7,23-26

Nos dias de Isaías, havia a esperança de que o juízo pudesse ser evitado mediante o arrependimento nacional e a busca de Deus, devido à intercessão de Ezequias. Assim, o exército de Senaqueribe foi destruído quando cercava Jerusalém.

Naquele momento, porém, era tarde demais para evitar a calamidade. Jeremias foi instruído a não orar pelo povo: Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei (Jr 7.16). Jeremias chorava diante do triste destino da nação: Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos (Jr 8.20).

O resultado dessa profecia sombria de Jeremias podia ser previsto. A reação do povo foi de raiva e ressentimento. Até mesmo seu pai e sua mãe se voltaram contra ele (Jr 11.19; 12.6). Os próprios cidadãos de Anatote, cidade daquele profeta, atentaram contra a vida dele. Jeremias nada sabia sobre o complô, até que o Senhor lhe revelou.

Ousados e movidos pelo ódio, os homens de Anatote disseram: Não profetizes no nome do SENHOR, para que não morras às nossas mãos (Jr 11.21b). Jeremias, contudo, não tinha outra alternativa, exceto continuar com a tarefa que lhe fora confiada.

O profeta foi orientado pelo Senhor para desempenhar um ato simbólico. Devia pegar um cinto de linho e enterrar na margem do rio Eufrates. Não fica claro se ele, de fato, empreendeu a longa jornada até aquele local, ou se foi a Efrata, nome original de Belém, a pouco mais de 9km de distância.

O fato de a palavra rio não ser mencionada favorece essa alternativa. Entretanto, como o Eufrates ficava perto do futuro lar dos israelitas, não podemos descartar a possibilidade de que Jeremias realmente tivesse feito a longa viagem.

Nesse ato simbólico, Jeremias deveria enterrar o cinto de linho perto de uma rocha. Depois de muitos dias, deveria visitar novamente o local e desenterrar aquele objeto. Ele obedeceu, e eis que o cinto tinha apodrecido e para nada prestava (Jr 13.7b). O Senhor usou essa ilustração para mostrar ao profeta que, da mesma maneira, ele iria apodrecer a soberba de Judá e a muita soberba de Jerusalém (v. 9). Mesmo assim, o Altíssimo ainda exortava o povo a se arrepender antes que a grande escuridão se fechasse sobre eles.

Escutai, e inclinai os ouvidos, e não vos ensoberbeçais; porque o SENHOR falou. Dai glória ao SENHOR, vosso Deus, antes que venha a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão.

Jeremias 13.15,16

Como mais uma advertência para Judá, uma severa seca assolou a terra. Por causa da terra que se fendeu, pois que não há chuva sobre a terra, os lavradores se envergonham e cobrem a cabeça (Jr 14.4). No entanto, apesar de tudo isso, o povo não deu atenção. Falsos profetas se levantaram, dizendo: Não vereis espada e não tereis fome (Jr 14.13b). Deus, porém, avisou Jeremias que aqueles homens estavam profetizando uma falsa visão, com base no engano do próprio coração.

Jeremias foi instruído a não tomar esposa em Anatote, pois as pessoas nascidas ali morreriam de forma trágica – seriam consumidas pela espada e pela fome, e não seriam sepultadas nem lamentadas.

Ao descrever as maldades do povo, o Senhor declarou que o coração humano não arrependido era a causa do orgulho: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17.9). No entanto, o povo não atentava para essas palavras.

O Senhor, então, dirigiu Jeremias à casa do oleiro, mostrando-lhe um vaso que estava quebrado nas mãos daquele artífice e como foi transformado em um objeto novo. O Senhor advertiu a casa de Israel, afirmando que também poderia transformá-la em um novo vaso.

Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? — diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. No momento em que eu falar contra uma nação e contra um reino, para arrancar, e para derribar, e para destruir, se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que eu falar de uma gente e de um reino, para o edificar e para plantar, se ele fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que tinha dito lhe faria.

Jeremias 18.6-10

A essa altura, porém, os homens de Judá já estavam cansados das profecias de Jeremias. O sacerdote Pasur agrediu o profeta e ordenou que fosse colocado no tronco. No dia seguinte, quando Pasur foi soltá-lo, Jeremias descreveu para ele o julgamento que pairava sobre a nação. Quanto a Pasur e sua família, todos iriam cativos para a Babilônia, bem como os outros, aos quais o sacerdote havia profetizado mentiras.

A cena que se seguiu não é registrada, mas deve ter sido tão tempestuosa que Jeremias decidiu desistir de seu ministério. No entanto, logo descobriu que a unção estava sobre ele e não podia desistir. Ele estava cansado de sofrer, mas seguiu adiante no ministério!

Então, disse eu: Não me lembrarei dele e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e não posso.

Jeremias 20.9

O mensageiro do Senhor prenunciou uma série de profecias sobre o destino dos reis de Judá. Quando Josias morreu, Joacaz (ou Salum) tornou-se rei. Sobre Joacaz, Jeremias disse:

Porque assim diz o SENHOR acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de Josias, seu pai, e que saiu deste lugar: Nunca ali tornará mais.Mas no lugar para onde o levaram cativo morrerá e nunca mais verá esta terra.

Jeremias 22.11,12

E assim aconteceu com Joacaz, filho de Josias. Neco, rei do Egito, destituiu-o e colocou seu irmão Jeoaquim em seu lugar. Joacaz foi levado ao Egito, onde morreu. Com sua traição e mau governo, Jeoaquim aumentou muito a tristeza da nação.

Durante seu governo, o monarca da Babilônia estendeu seu domínio para o Oeste da Ásia. Embora Jeremias tivesse feito diversas advertências sobre a aproximação do rei babilônio, Jeoaquim não lhe deu ouvidos. Estava ocupado em fazer planos para a construção de uma grande casa de cedro (Jr 22.13,14).

Subitamente, o rei da Babilônia chegou às portas de Jerusalém. Não havia coisa alguma que Jeoaquim pudesse fazer, a não ser submeter-se aos termos de Nabucodonosor e concordar em pagar tributo.

Durante três anos, Jeoaquim serviu ao rei da Babilônia, mas, no quarto ano, rebelou-se. Isso acarretou medidas de retaliação por parte de Nabucodonosor, que retornou a Jerusalém e, dessa vez, removeu os utensílios sagrados do templo, provavelmente para compensar o tributo que não fora pago. Quanto à condenação de Jeoaquim, Jeremias profetizou:

Reinarás tu, só porque te encerras em cedro? Acaso, teu pai não comeu e bebeu e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso, tudo lhe sucedeu bem. Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua avareza, e para o sangue inocente, a fim de derramá-lo, e para a opressão, e para a violência, a fim de levar isso a efeito. Portanto, assim diz o SENHOR acerca de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não lamentarão por ele, dizendo: Ai, irmão meu! Ou: Ai, minha irmã! Nem lamentarão por ele, dizendo: Ai, senhor! Ou: Ai, majestoso! Em sepultura de jumento, o sepultarão, arrastando-o e lançando-o para bem longe, fora das portas de Jerusalém.

Jeremias 22.15,17-19

Como veremos, tudo aconteceu conforme Jeremias tinha previsto. Conheça mais sobre a intrigante história desse mensageiro tão usado por Deus no livro Isaías, o profeta messiânico – Jeremiais, o profeta “chorão”, volume 34, da Série Heróis do Antigo Testamento – Retratos dos Personagens Notáveis.

 

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (0) (média: 0,00 de 5)
Loading...Loading...

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *